Presidente da OAB-ES é homenageado pela Academia de Letras Jurídicas do Espírito Santo



O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil- Seção Espírito Santo (OAB-ES) , Homero Mafra, recebeu da Academia de Letras Jurídicas do Espírito Santo (Acalejes)  a comenda Rui Barbosa. A homenagem aconteceu na noite desta sexta-feira (23), no auditório da Seccional.

Durante o evento foram entregues também diplomas aos acadêmicos fundadores da instituição, e ao final foi realizado um coquetel. O presidente da CAAES, Carlos Augusto Aledi, também foi homenageado, assim como o procurador geral do Estado, Alexandre Nogueira Alves - representado na cerimônia pelo subprocurador  Erfen José Ribeiro Santos - e o presidente da Academia Espírito-Santense de Letras, Francisco Aurélio Ribeiro, representado pelo advogado Anaximandro Amorim. 

A presidente da Acalejes, Luzia Ester Doná, destacou que o evento comemorou um ano de fundação da Academia, "uma sociedade literária, artística, científica e filosófica, com o compromisso de alimentar ideias e ideias, mas sem deixar de proclamar as inquietações sociais do nosso tempo".  Além das homenagens, um dos acadêmicos fundadores, Teodorico Boa Morte, fez uma apresentação musical, tocando clássicos do cancioneiro folclórico capixaba, como "Madalena". 

Falando em nome do presidente da Academia Espírito-Santense de Letras, o advogado Anaximandro Amorim lembrou as semelhanças entre as Letras e o Direito: "Sempre acreditei que o Direito e as Letras se uniam por um ponto comum: a palavra. A diferença é que no Direito ela é hermética, o que não constitui demérito de uma arte em relação à outra, mas característica. Àqueles que creem o Direito como ciência sabem como o dito "rigor da norma" incita à busca do le mot juste ( ou "da palavra exata", como diriam os franceses). Acontece que, por trás da norma, há um humano. E nisso, o Direito se parece com a poesia. Bons poetas buscam, incessantemente, a palavra exata. Bons juristas, também" . 

Em seu discurso, Homero Mafra falou sobre a satisfação da Ordem de receber a Academia. E destacou que, ao ouvir a presidente da Acalejes falar sobre Direito e Arte, lembrou das palavras de Eduardo Galeano, um dos maiores escritores latinoamericanos: "E neste estado de coisas, nós dizemos não à neutralidade da palavra humana. Dizemos não aos que nos convidam a lavar as mãos perante as cotidianas crucificações que ocorrem ao nosso redor. À aborrecida fascinação de uma arte fria, indiferente, contempladora do espelho, preferimos uma arte quente, que celebra a aventura humana no mundo e nela participa, uma arte irremediavelmente apaixonada e briguenta. Seria bela a beleza, se não fosse justa? Seria justa a justiça, se não fosse bela? Nós dizemos não ao divórcio entre a beleza e a justiça, porque dizemos sim ao seu abraço poderoso e fecundo."

O presidente da OAB lembrou: "Direito  é arte, é poesia, é alegria.  São tempos difíceis que atravessamos, onde o princípio constitucional da presunção de inocência é feito tábula rasa pelo Supremo Tribunal Federal, um Supremo que mais parece local de briga de torcedor disputando campeonato. É lamentável que o Supremo tenha se apequenado tanto. O  Supremo Tribunal de hoje não é fiel à sua história e não representa a vontade do povo brasileiro", lamentou. 

Nesse contexto, destaca, "É  bom ouvir falar da arte que vem do povo, de Nelson Cavaquinho dizendo ao Supremo Tribunal: 'tire  o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor'. A dor de um país que não suporta as humilhações que vem sofrendo por parte das altas autoridades da República.  Um país que se vê  a enfrentar uma intervenção militar no Rio de Janeiro, feita de improviso, apenas e tão somente como jogada de marketing; um país que carrega hoje a dor da perda de uma militante de Direitos Humanos, cruelmente assassinada".

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