OAB-ES realiza em penitenciária um dia de beleza exclusiva à população homossexual, transgênero e travesti
Na véspera do Dia Mundial de Combate à Homofobia (16/05), a Comissão de Direitos Humanos (CDH), da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Espírito Santo (OAB-ES), realizou um Dia de Beleza na Penitenciária de Segurança Média 2, em Viana, exclusiva à população homossexual, transgênero e travesti.
Segundo a presidente da Comissão, Manoela Soares, foram levados ao presídio vários profissionais de beleza, como cabeleireiros, esteticistas, manicures e pedicures para promover um dia com diversos procedimentos, como colorações, selagem de mechas, relaxamento de cachos, descoloração de cabelos, hidratação capilar, escovação e babyliss, pintura de unhas, design de sobrancelhas com henna, maquiagem e cortes de cabelo.
“Mais que um dia de beleza, foi um dia de afetos e carinhos naquelas almas que não têm gênero”, frisou a integrante da Comissão e advogada Sueli Alves.
O evento contou com a participação da advogada Cinthya Polastreli, que se deslocou de Guarapari, com sua alegria e maleta de maquiagem, para se juntar aos profissionais nos cuidados de beleza às Reeducandas. “A transformação foi visível. As internas que nos receberam com timidez não foram as mesmas que se despediram com a alegria e a autoestima renovadas. A mudança não foi só por fora! Foram ouvidas, cuidadas, atendidas com amor digno e com a humanidade merecida”, ressaltou.
Junia Karla Passos Rutowitsch, vice-presidente da Comissão, explica que os profissionais que participaram do evento tiveram uma experiência única, diferente de tudo que já fizeram. “O estigma da palavra ‘cadeia’ e a ideia de um local sujo e violento que povoava a mente de todos mudou completamente ao estarem lá, pois perceberem o quão diferente é o sistema prisional de nosso Estado, o que foi de grande relevância”, garante.
A esteticista Alexia Vidal e as irmãs cabeleireiras Priscila de Lima e Sabrina de Lima, que saíram de Cachoeiro de Itapemirim, destacaram a péssima impressão que tinham, até então, dos presídios. “Elas imaginavam locais imundos e de maus-tratos, e jamais pensaram em poder participar de um projeto social dentro de um local tão ‘perigoso’. Ao final, todas ressaltaram como estavam enganadas e como a ação fez bem a elas e às internas”, explicou Manoela Soares.
“Ver cada sorriso e a alegria nos faz acreditar que todos são capazes de mudar o mundo com gestos simples de amor”, disse Alexia Vidal.
“A CDH não tem medido esforços na luta por garantias constitucionais, constantemente inovando propostas, visando a dignidade, a inclusão e a cidadania” destacou o advogado Vinicius de Lima Rosa, Ouvidor-Geral da OAB-ES e também integrante da Comissão de Direitos Humanos.
Os profissionais Drica Rodrigues, Lara Salles, Mirian Oliveira, Nilza Nakamura e Bruno Yagho também estiveram presentes, possibilitando que todas as Reeducandas fossem atendidas e cuidadas. Além da Keranza Cosméticos, e seu distribuidor Rafael Rodrigues; a Alfabg Cosméticos Eireli; o Salão Studio C Master Hair & Spa; o Salão Whagner Torezane; a Farmácia Farmes, de Itaquari; a Anuar Cosméticos; a Alexia Cosméticos; e o Espaço Sabrina Lima, que foram importantes parceiros no fornecimento de materiais e doações para a concretização do evento.
O Diretor do PSME2, Dantas Campostrini, a psicóloga Bárbara Vieira, a assistente social, Natana Teixeira de Oliveira Costa, e toda a equipe da Unidade Prisional cuidaram da organização do evento, dando continuidade ao brilhante trabalho de ressocialização que já fazem junto à população carcerária da unidade, humanizando a pena sem, contudo, comprometer a disciplina e destacando a importância do bom comportamento.
Dantas ressalta que “esse é um público vulnerável, que muitas vezes sofre preconceito e não sabe a quem recorrer quando precisa de apoio, seja psicológico ou social. Realizamos projetos para promover o resgate de suas cidadanias, valorizar a essência de cada um e dar oportunidades para que, ao saírem do sistema prisional, se conheçam, assim como também os seus direitos e, consequentemente, possam trilhar um novo caminho”
Manoela Soares e Junia Karla Rutowitsch destacaram que ações como essa, justamente na semana de combate à homofobia, permitem momentos de autoestima e distração, além de despertar o sentimento de inclusão à população LGBTQIA+.
Ao sentirem-se acolhidas e respeitadas em suas características e sexualidade, as internas percebem que é possível cumprir a pena, serem aceitas e incluídas ao convívio em sociedade, amadas e queridas, com oportunidades e acesso à efetiva inclusão social”, conclui Manoela Soares.


















