OAB-ES protocoliza notícia crime para apuração de abuso de autoridade contra advogado



A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Espírito Santo (OAB-ES) protocolizou uma notícia crime na Procuradoria de Justiça do Estado para apuração da denúncia de abuso de autoridade praticado contra o advogado Ney Eduardo Simões Filho por membros da Diretoria de Operações Táticas (DOT) da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), no dia 15 de agosto.

Os membros da Comissão de Direitos e Prerrogativas da Seccional foram recebidos, nesta segunda-feira (15), pela subprocuradora-geral de Justiça Administrativa, Elda Márcia Spedo, na ocasião respondendo pela Procuradoria Geral de Justiça. Ela estava acompanhada da secretária-geral da Procuradoria-Geral de Justiça, promotora de Justiça Luciana Gomes Ferreira de Andrade.

Segundo o advogado Renan Sales, “o Ministério Púbico do Estado recebeu muito bem a Ordem, sendo receptivo e se mostrou sensível ao pleito da advocacia. A subprocuradora informou que o fato será investigado com rigor, para que possa trazer aos advogados uma resposta.”

Agora MPES abrirá uma investigação e, posteriormente, se convencendo da existência do crime, o MPES oferecerá a denuncia à Justiça.

Renan Sales informou também que “a OAB-ES realizará outras ações para que fatos como este não fiquem impune”. “A Comissão vai solicitar a abertura de procedimento administrativo junto à Secretaria de Justiça e pretende também pedir a abertura de outro procedimento junto ao MPES para inquérito civil. Essa conduta, além de, em tese, configurar crime, configura também improbidade administrativa”, ressaltou.

Renan Salles disse ainda: “Os membros do DOT usurparam da função pública deles. Os fatos remetem a um período ditatorial que o Brasil sempre deseja esquecer e a Ordem vai ser incansável no sentido de buscar a punição para essas condutas.”

Entenda o caso

O fato ocorreu numa estrada da zona rural que dá acesso, também, aos presídios de Xuri. A Ordem deu toda a assistência necessária a Ney Simões e continuará acompanhando o caso para garantir a devida apuração dos fatos e aplicação das medidas judicias e administrativas cabíveis.
 
Após o fato o advogado concedeu uma entrevista à Ordem e relatou: "Foi humilhante e estou muito abalado”, afirmou o advogado, que atua preferencialmente no município de Guarapari, nas áreas cível e criminal. Ele fez um relato dos fatos: “Eu estava indo me avistar com um cliente no Centro de Detenção Provisória de Vila Velha, quando foi determinado pelos agentes da Sejus que eu parasse o veículo, pois, eles estavam realizando uma ‘blitz’ na estrada de acesso ao presídio. Vale ressaltar que essa blitz era realizada somente por agentes da Sejus. Me identifiquei como advogado, apresentando a Carteira da OAB, mas um dos agentes ordenou que eu saísse do carro. Ele estava na companhia de mais outros dois ou três agentes, todos de armas em punho direcionadas a minha pessoa. O agente que determinou a saída do veículo, me disse que ‘não queria saber se eu era advogado ou não’ e me fez ficar prostrado em forma de revista, ou seja, com pernas abertas e braços abertos, mesmo tendo conhecimento de minha habilitação profissional.”

Disse ainda: “Para minha surpresa, variados servidores apontaram suas armas de grosso calibre em minha direção, para me intimidar, me levando ocasionalmente a aceitar aquela vexaminosa e imprópria ação. Após a humilhante revista, tomei uma atitude,  já que tinha conhecimento de que se tratava de abordagem a um advogado que iria cumprir seu mister naquela unidade prisional. Solicitei a identificação pessoal e inscrição estadual do agente, fazendo valer meu direito constitucional, mesmo porque recebi ordem que estava ‘detido’, sem qualquer fundamentação legal, e,  principalmente, de autoridade emanada. Se não bastasse tudo isso, o meu veículo foi cercado por duas viaturas,  com os respectivos giroflex e motores ligados, impedindo literalmente o meu direito de ir e vir, situação que perdurou por cerca de quatro horas. O impasse só foi resolvido após a chegada de uma viatura militar, que constatou a irregularidade dos procedimentos exercidos pelos servidores da Sejus, haja vista que fora constatado que a CNH e documento do veículo estavam em dia.”
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