OAB-ES participa de Caminhada Contra Feminicídio e pede medidas de prevenção
A Caminhada Contra o Feminicídio, que teve o apoio da OAB-ES, marcou a manhã deste domingo na Praia de Camburi, em Vitória, com a participação de centenas de pessoas entre familiares de mulheres vítimas de crime, amigos e cidadãos unidos pelo BASTA à violência contra as mulheres.
Vice-presidente da OAB-ES, Simone Silveira, participou da caminhada e frisou a importância dos movimentos e debates acerca desses crimes que atingem tipicamente às mulheres e ocorrem "em razão da sua condição de mulher".
“Não se fala do Femicídio, crime de morte contra a mulher, mas sim daquele crime de morte em razão da condição de mulher. É preciso chamar a atenção para essas ações marcadas em sua essência pela desigualdade de gênero e com características tão definidas, mas que em geral passam desapercebidas pela sociedade em geral. No Espírito Santo as estatísticas já são alarmantes e é necessário despertar na sociedade o conhecimento do problema para que se busque medidas de prevenção efetiva”, afirmou Simone Silveira.
A vice-presidente salientou que “somente através do amplo debate e do firme combate à violência, poderemos construir uma sociedade mais consciente e justa. ”
Flávia Brandão, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-ES e conselheiro federal da Seccional, afirmou que “é preciso que as pessoas demonstrem sim sua indignação perante a continuidade da violência contra as mulheres. É necessário que todos estejam juntos, pois a violência que culmina com a morte na maioria das vezes é silenciosa. ”
Durante a caminhada, os familiares e amigos da advogada Gabriela Silva, que foi assassinada no último dia 24 de agosto, andaram pela orla de Camburi com faixas e camisas com a foto da advogada. O pai de Gabriela, Pastor Reinaldo Maria de Araújo, afirmou que é preciso uma grande mudança de comportamento das pessoas. “Temos que evitar que essa violência aconteça com outras mulheres. Precisamos viver mais em harmonia e buscar a reflexão. Clamamos a paz, por mais que seja difícil. Essa manifestação é um gemido no silêncio em prol da paz de todos, começando por cada um”, desabafou.
Também esteve na caminhada os parentes de Nádia Helena Guerra, de 56 anos, morta no ano passado. O sobrinho de Nádia, Rafael Guerra, disse que o pedido é de paz e justiça, “pois o suspeito de ser o responsável pelo crime ainda está sendo julgado. Por isso estamos aqui em busca de paz para que mais mulheres não sejam vítimas.
A busca por um BASTA reuniu ainda pessoas que se solidarizam com a dor dos familiares como a assistente social Rachel Pestana Santos, que fez questão de se juntar à caminhada. “Essa violência é vivenciada todos os dias no trabalho ou na vizinhança. Denunciar é muito difícil para quem está envolvido no processo talvez por medo ou dependência financeira. Essa causa sempre nos toca, por isso temos que ir para a rua mostrar que não estamos coniventes com essa situação. ”

