Homenagem da OAB-ES às mães advogadas
A conduta ética, a defesa intransigente dos direitos humanos, a busca pela justiça social e pela boa aplicação das leis. Tais princípios, contidos no compromisso assumido quando se ingressa nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil não se restringem à prática profissional. Para as advogadas que também são mães, esses valores estão presentes na relação com seus filhos, assim como hábitos que são comuns àqueles que exercem a advocacia, por exemplo, o apreço pela leitura e pela busca do conhecimento.
Mãe de Pedro Henrique, 16 anos, e João Victor, 13 anos, a vice-presidente da OAB-ES, Flávia Brandão Maia Perez, exerce a advocacia há 28 anos e está casada há 23 anos com Marco Perez. Ela conta que seu filho mais velho identifica nele mesmo uma “veia de advogado” muito exacerbada porque “não suporta injustiça”. “Ele não admite que cerceiem seus direitos quando acredita que está certo em relação a algum fato ou situação”, explica Flávia Brandão.
A advogada e mãe afirma com toda a certeza: “O que mais eu preservo, e tento transmitir aos meninos é o respeito à justiça. É preciso olhar o seu direito, sem perder de vista que o outro tem direito, e não podemos ter preconceito. A verdade, também, é essencial”, afirma. “O senso de justiça é o que mais tento passar e os meninos têm isso. Quando eles observam que alguém está sendo injustiçado, isso revolta os dois.”
No caso da advogada Santuzza da Costa Pereira, atual presidente da Associação dos Procuradores do Espírito Santo (APES), a paixão pelo direito está no coração da família. Seu pai, Agesandro da Costa Pereira, é Medalha Rui Barbosa. Na OAB-ES, foi presidente durante muitos anos. O avô da advogada, tios e irmã também são juristas. Por esta razão é que ela acolheu, “com muito gosto”, a decisão do seu filho José, de 22 anos, de seguir a carreira jurídica.
A transmissão tanto para José, quanto para a filha Maira, de 26 anos, dos princípios e valores que permeiam sua profissão, segundo Santuzza da Costa Pereira, ocorreu de forma muito natural: “A busca da justiça, do engrandecimento do ser humano, a defesa do coletivo, isso tudo sempre este presente nas nossas vidas. Todas as questões postas dentro de casa invariavelmente refletem este pensamento, esta posição.”
Para ela, a postura questionadora dos filhos, desde novos, é um dos traços que mais se aproxima da prática do direito. “Eles sempre se posicionavam e exigiam uma resolução do problema, ou na escola ou junto aos amigos”, lembra.
Santtuza da Costa Pereira não precisou dar nenhum conselho direto para José sobre o exercício da profissão: “Ele já sabia das dificuldades, dos grandes empecilhos ao escolher uma profissão que privilegia a defesa da democracia, em que se busca sempre um estado de direito, que é exatamente aquele que protege o cidadão. Ele tem consciência de que o exercício da profissão é muito maior do que propriamente a defesa do seu cliente.”
Mãe de Maria Eduarda, uma linda menina de 10 anos, a advogada trabalhista Anabela Galvão, brinca dizendo que espera que a filha busque outra profissão em razão exatamente dos inúmeros obstáculos e dificuldades impostos no exercício da profissão. No entanto, ela reconhece que Maria Eduarda tem características relacionadas à prática da advocacia. “Ela é persuasiva, tem espírito de liderança, além do aspecto intelectual.”
Maria Eduarda cresceu em uma casa que tem uma biblioteca de bom tamanho. Desde pequena, então, ela lê muito. “Ela é apaixonada pela leitura”.
Embora Anabela Galvão não incentive a filha a seguir a carreira jurídica, ela fala com orgulho sobre como os princípios do direito fazem parte do modo como ela e o marido, Carlos Magno Gonzaga Cardoso, também advogado, a educaram. “Isso não tem preço.”
Para a presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-ES, Maria Helena Reinoso Rezende, o ano de 2015 começou trazendo uma grande felicidade. No dia 23 de fevereiro, seu filho único Rafael Rezende, de 26 anos, recebeu das mãos dela a Carteira da Ordem. Mais realizada ainda ela ficou, quando Rafael revelou que escolheu seguir o mesmo ramo da mãe na advocacia, a área trabalhista.
“Ele foi o orador da turma e fiquei muito emocionada. Ele falou de ética, do respeito às leis, à Constituição.” “Até hoje ainda estou meio em êxtase”, afirmou Maria Helena Rezende.

