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Documentário "Sem Saída" é exibido em Cariacica com debate sobre encarceramento e criminalização da pobreza



Com um profícuo debate, o documentário “Sem Saída”, que traz entrevistas chocantes de pessoas que relatam o que viveram no mês de fevereiro de 2017, durante a greve da Polícia Militar do Espírito Santo, foi exibido na noite desta quarta-feira (5) na Subseção de Cariacica, após ser lançado na OAB-ES.

O Documentario foi realizado a partir de levantamento feito pela diretora de Direitos Humanos da OAB-ES, Verônica Bezerra, por meio da base de dados com o número de homicídios ocorridos no período de greve. A realização do documentário é do Grupo de Pesquisa Homo Sacer, da Ufes, e a produção foi feita pelo Observatório da Mídia.

Após a exibição do documentário, aconteceu um debate com as participações de Verônica Bezerra, do advogado e diretor do departamento de ciências criminais da ESA, Thiago Fabres de Carvalho, e do defensor público, Geraldo Elias.



Na avaliação da diretora de Direitos Humanos da Ordem, “o evento de foi importante, pois possibilitou que à luz do fenômeno ocorrido em fevereiro de 2017, voltássemos nosso olhar para as vítimas, para compreender suas histórias e buscar saídas para as violações de direitos humanos.”

O defensor público Geraldo Elias Azevedo, representante da Defensoria no Conselho Penitenciário Estadual, afirmou que a produção do documentário foi um trabalho excepcional. “O filme reflete a percepção que temos do dia a dia do sistema prisional do país como um todo, não é somente uma realidade do Espírito Santo. Como falado no documentário, o evento da greve da PM só serviu para colocar uma lupa sobre toda a situação prisional do país e eu como debatedor tentei lançar perguntas para que os ouvintes nos ajudasse a responder: quem são os responsáveis por esse encarceramento? A resposta óbvia é o Estado. Mas quem é o Estado? Uma pessoa jurídica fictícia que não existe. Qual é o grupo de pessoas ou quais são as instituições que, de alguma forma, é responsável por esse encarceramento? Na verdade, nós não sabemos a quem atribuir a responsabilidade do encarceramento", afirmou o defensor. 

A advogada Kelly Andrade, conselheira da Subseção de Cariacica, frisou que o debate foi muito rico e o documentário provoca a reflexão para o fevereiro que não acabou. “O filme nos chama a tomar alguma atitude, porque como operadores do direito temos a obrigação de executar a justiça. Somos a voz daquele que não tem voz, portanto temos uma obrigação relacionada diretamente com nossa missão de buscar equilibrar a balança. Saímos desse evento querendo fazer diferente como advogados. ”

Segundo a advogada Paola Marcarini Boldrini, que mediou o debate, discutir sobre temas como encarceramento em massa, seletividade penal e criminalização da pobreza é importantíssimo. “Na exibição do documentário Sem Saída, por meio da fala das famílias e das pessoas que estavam presentes, podemos concluir que esses três fatores são corriqueiros na vida dessas famílias. Nós prendemos muito e prendemos mal. Passou da hora de repensarmos esse sistema penal aplicado”, frisou.

DOCUMENTÁRIO

O documentário é uma realização do Grupo de Pesquisa Homo Sacer, com apoio da OAB-ES, Observatório da Mídia e Centro  de defesa dos Direitos  Humanos da Serra.

São 43 minutos de gravação, com a participação de representantes da Igreja Católica, pesquisadores, professores e militantes de direitos humanos.

O documentário revela, em levantamento feito durante a produção, que dos 48 jovens até 18 anos, assassinados em fevereiro 2017, durante a greve da polícia militar do Espírito Santo, 42 são egressos do Sistema Socioeducativo do Estado. 

Veja o documentário 

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