Dia Nacional de Luto dos Advogados: 30 anos do atentado à OAB
Durante a reunião do Conselho Seccional da OAB-ES, realizada nesta quarta-feira (25), o presidente Homero Mafra falou sobre o ato que será realizado no Rio de Janeiro e destacou: "São 30 anos de impunidade, sem que os autores do atentado tenham sido punidos, são 30 anos que os autores deste ato terrorista de direita estão impunes."
Homero Mafra afirmou, ainda, que a Seccional capixaba se aliou à Seccional carioca na Campanha pela Memória e a Verdade, em defesa da abertura dos arquivos da repressão política no período da ditadura militar. "É preciso lembrar para não esquecer", disse.
Para o presidente da Seccional do Rio de Janeiro, o Wadih Damous, com o ato desta sexta-feira, a OAB quer "lembrar, sobretudo às novas gerações de advogados, que no Brasil, em determinado contexto histórico, viveu-se sob uma ditadura militar, que aqui havia um estado repressivo e que setores militares praticavam atentados terroristas, torturas e tentavam matar seus contestadores com cartas bombas". Ele acrescenta: " A OAB continua até hoje a cobrar a apuração do crime e a punição dos responsáveis. E que não se justifique, novamente, que torturadores e terroristas foram anistiados em 1979, porque o atentado foi em 1980. Portanto, seus autores, neste caso, não estão encobertos pela Lei de Anistia."
O ato no Rio de Janeiro será às 15 horas, em frente ao prédio da Avenida Marechal Câmara, 210, que já abrigou o plenário do Conselho Federal e onde hoje funciona a Caixa de Assistência dos Advogados do Rio de Janeiro (CAARJ). Na manifestação, os advogados vão inaugurar uma placa em homenagem à funcionária da OAB.
A OAB/RJ também vai promover, no mesmo local, uma sessão solene em homenagem à secretária da entidade, no horário exato em que explodiu a bomba. A OAB-RJ vai apresentar, ainda, à Câmara Municipal do Rio de Janeiro um projeto para a mudança do nome da Avenida Marechal Câmara para Avenida Lyda Monteiro.
Para o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, dona Lyda transformou-se em mártir e a morte dela é um símbolo da resistência ao regime militar. Ele classifica o episódio como um dos momentos mais importantes da história da Ordem e do Brasil. "Queremos perpetuar a memória de uma das vítimas do regime ditatorial e também queremos que as gerações de hoje e futuras se lembrem desse momento para não reincidir no erro, pois não adianta apenas lamentar o passado", afirma.
Ao comentar a passagem dos 30 anos da explosão da bomba na sede do Conselho Federal da OAB, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e hoje de volta à advocacia, ministro Sepúlveda Pertence, lembra que aquele 27 de agosto foi um dos dias mais chocantes de sua vida: "Passados trinta anos, é quase impossível reviver a emoção e a dor daquele momento", diz ele, antes de fazer um breve relato do que viveu naquele mês de agosto, quando estava no exercício da presidência da OAB. Pertence era vice-presidente do Conselho Federal: "Eu acabara de almoçar com amigos -- o presidente do Conselho Federal da OAB, Eduardo Seabra Fagundes, estava fora do Rio de Janeiro - e, quando cheguei ao prédio onde funcionava a sede da Ordem dos Advogados do Brasil, na Avenida Marechal Câmara, notei que havia um movimento anormal. Custei a acreditar no que me disseram: uma bomba explodira nas mãos de dona Lyda, uma antiga funcionária da entidade".
A funcionária Lyda Monteiro da Silva tinha 59 anos, 44 deles dedicados à OAB. Seis mil pessoas acompanharam o cortejo durante mais de três horas em oito quilômetros de caminhada entre a sede da OAB, no Centro, e o cemitério, em Botafogo. O caixão estava coberto com a bandeira do Brasil e transformou-se em símbolo de luta contra a ditadura.
Memória: Veja a edição do jornal Folha de São Paulo do dia 28 de agosto de 1980
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