Conselho da OAB-ES aprova concessão da Comenda Ewerton Montenegro a Isabel Borges e Maria do Rosário



O Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Espírito Santo (OAB-ES), reunido nesta quarta-feira (25), aprovou a concessão da comenda "Ewerton Montenegro Guimarães" à militante dos direitos humanos Isabel Aparecida Borges e à ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, conforme proposta apresentada pelo presidente da Seccional, Homero Junger Mafra. A comenda é concedida aos que se destacam na luta em defesa dos direitos humanos.

Isabel Borges

Ex-coordenadora da Pastoral Carcerária, Isabel Aparecida Borges da Silva foi injustamente perseguida e acusada, sem provas, de orientar presos durante atentados ocorridos em 2006 em que dezenas de ônibus foram queimados na Grande Vitória. Só este ano é que todos os procedimentos abertos contra ela foram arquivados pelo Ministério Público Estadual, por completa falta de provas.

Isabel Borges é uma mineira de 67 anos. Ao se mudar para o Espírito Santo, passou se engajar nas comunidades eclesiais de base. Foi chamada para atuar na Pastoral Carcerária, onde militou por 25 anos. Iniciou seus trabalhos como agente pastoral, tornando-se Coordenadora da área de Vila Velha e, por fim, Coordenadora Geral da Arquidiocese de Vitória e representante do Estado na Coordenação Nacional.
Dedicou-se a cuidar das pessoas encarceradas nas prisões. Trabalhou para uma mudança na forma de agir com os internos, além de denunciar todas as irregularidades existentes na Pastoral.

Em junho deste ano, Isabel Borges recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, promovido pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos. A cerimônia de premiação ocorreu na abertura do XVII Encontro Nacional de Direitos Humanos, no município de São Bernardo do Campo, em São Paulo.

Maria do Rosário

Maria do Rosário é deputada federal eleita pelo Rio Grande do Sul, mas no momento está licenciada e ocupa o cargo de ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos. No Congresso Nacional, foi relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou as redes de exploração sexual de crianças e adolescentes. Representou a Câmara na Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos durante a Ditadura Militar. Foi vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

Como relatora da CPMI da exploração sexual, propôs e aprovou a reformulação do Código Penal brasileiro, que tipificou o crime de exploração sexual infantil e aumentou as penas. Essa lei é reconhecida como um dos maiores instrumentos de enfrentamento da impunidade contra os crimes sexuais que vitimam meninas e meninos no país.

Também é autora do substitutivo que originou a nova legislação sobre o direito à convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes, estabelecendo prazos para a permanência em instituições de abrigagem, para que todos tenham o direito a uma família.

Ewerton Montenegro

Ewerton Montenegro Guimarães se destacou como um atuante e importante advogado militante da causa dos direitos humanos. Como membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-ES e com uma vida voltada para a defesa da vida, Ewerton se destacou no combate ao crime organizado no Estado e na defesa árdua das vítimas da violência, trabalho feito, muitas vezes, gratuitamente.

Foi um dos primeiro a denunciar o Esquadrão da Morte no Estado e registrá-lo em livro ‘A Chancela do crime: a verdadeira história do esquadrão da morte’, publicado em 1978.

Foi advogado da Arquidiocese de Vitória e da família do padre francês Gabriel Maire, assassinado em Vila Velha. Faleceu em maio de 2002.

 

 

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