Berredo foi um lutador pela democracia, afirma Homero Mafra
“Berredo fez parte daquela geração de tribunos do júri que marcaram uma época. A grande lembrança que deixou em mim foi a sua luta no processo de redemocratização do Brasil”, declarou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Espírito Santo (OAB-ES), Homero Junger Mafra, ao manifestar seu profundo pesar pelo falecimento do advogado e ex-prefeito de Vitória, Ferdinand Berredo de Menezes, nesta sexta-feira (04).
“Seja como candidato ao Senado pelo antigo MDB, seja nas lutas pela anistia e pela Constituinte, Berredo foi um lutador pela democracia e isto deve ser acentuado num tempo em que, parece, alguns se esqueceram de quão dura foi a ditadura militar. Morre um democrata, perdem aqueles que querem um país onde o respeito às leis e a dignidade da pessoa humana seja a regra”, destacou o presidente da OAB-ES.
Berredo de Menezes exerceu ativamente a advocacia criminal, sendo considerado na época o maior criminalista do Estado, mas com incursão principalmente no interior de Minas Gerais. Antes, porém, dedicou-se à advocacia trabalhista, tendo sido advogado de todos os Sindicatos dos Trabalhadores da Indústria, tendo inclusive recebido em sessão solene o Diploma de Presidente de Honra da Federação dos Trabalhadores na Indústria do Estado do Espírito Santo, pelo fato relevante de jamais haver cobrado um centavo em qualquer causa trabalhista.
Trabalhou também como professor universitário, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), durante 32 anos. Exerceu o cargo de professor catedrático de direito constitucional, passando depois ao exercício da cátedra de direito processual penal.
Foi Prefeito de Vitória entre 1982 e 1985, exercendo o mandato de vereador por duas vezes.
Berredo nasceu em Caxias (Maranhão) no dia 30 de abril de 1929. Formou-se em direito e economia pela antiga Universidade do Distrito Federal, situada no Rio de Janeiro. Em 1952, viajou para a França onde realizou cursos de Sociologia Criminal e História das Artes na Universidade de Paris.
Em 1957 veio para o Espírito Santo, passando a militar na política local no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e estabelecendo estreitas relações com o clandestino Partido Comunista Brasileiro (PCB). Foi um dos fundadores do MDB.
Ocupava a Cadeira 1 Academia Espírito-santense de Letras e era membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo.
Berredo foi premiado mais de vinte vezes no Brasil e uma vez em Salzburg na Áustria. Teve o seu livro de contos “O velejador de abismos” publicado em Lisboa, e “Clarividências do nunca”, publicado em Havana, com tradução do poeta cubano Virgílio López Lemus.
O corpo de Berredo de Menezes está sendo velado no cemitério Santo Antônio. O sepultamento ocorrerá neste sábado (05), às 17 horas.
Com informações da Biografia de Ferdinand Berredo de Menezes esrita por Jô Drumond

