Luto

Advogados criminalistas fazem protesto no enterro de Emerson Vieira

  • Em cortejo fúnebre, todos seguiram acompanhado o corpo e levando as faixas junto aos familiares e amigos do advogado assassinado.


Advogados criminalistas do Espírito Santo se concentraram, com faixas e cartazes, na tarde deste domingo (22), no Cemitério Parque da Paz, onde aconteceu o sepultamento do advogado Emerson Vieira, assassinado a tiros no sábado em Jardim Marilândia, bairro onde morava, em Vila Velha. O ato foi convocado pela Ordem dos Advogados do Espírito Santo – Seção do Espírito Santo (OAB-ES) como forma de manifestar a indignação da advocacia e pedir à Policia Civil do Estado empenho nas investigações.

Na ocasião, reconhecendo o empenho do secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Nylton Rodrigues, na apuração do brutal homicídio, Homero Mafra pediu à advocacia que se mantivesse mobilizada, para impedir que o caso caísse no esquecimento. Enquanto o corpo era velado na capela e antes do sepultamento, os advogados presentes se organizaram em ato simbólico em protesto pela violência praticada contra advogados, formando um grande círculo empunhando  faixas com os dizeres “Emerson, sua morte não ficará impune”, “A Advocacia está de luto”, “Exigimos Apuração”.  Depois, em cortejo fúnebre, todos seguiram acompanhando o corpo e levando as faixas junto aos familiares e amigos do advogado assassinado.


"A advocacia capixaba exige a apuração dos fatos para que os assassinos sejam condenados e punidos”, disse em discurso emocionado, no momento do sepultamento, o presidente da OAB-ES, Homero Mafra. “Nós não temos medo desta bandidagem. Nós não temos medo de quem matou o nosso companheiro. Nós vamos exigir a apuração destes fatos. Nós devemos a nossa entrega para apurar o ocorrido. Devemos isto a Emerson”, disse ele. 

Homero Mafra, atendendo a sugestão de um advogado, convocou os  presentes a deixarem suas gravatas sobre o caixão. Continuando o discurso, o presidente da OAB-ES enfatizou a dor de todos os presentes pela perda de “um companheiro que estava presente no dia a dia da luta criminal.” E em tom de indignação, contou que “vários grupos ironizavam a morte de um advogado, perguntando: E agora, vão continuar defendendo vagabundos?” E Homero mesmo, respondeu: “Nós vamos continuar defendendo seres humanos e defendendo o princípio constitucional da presunção de inocência. Aqueles que comemoram a morte de um advogado, estas pessoas não compreendem a grandeza de ser advogado, não sabem a missão da advocacia!”.




Depoimentos 


Advogados presentes manifestaram seu pesar pelo assassinato do colega Emerson Vieira

 

Sharlene Azarias, presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim) – “É com muito pesar que falo da pessoa do Emerson Vieira, não só como colega de profissão – ele era um exímio advogado – mas como pessoa e o que ele tinha de muito valor, a advocacia. Advogar era a paixão dele e era o que ele mais gostava de fazer na vida. Emerson tinha um enorme prazer em dizer que era advogado e em correr atrás de suas lutas e das lutas dos seus clientes. Mas, como homem, o principal valor que ele tinha era o amor, o sentimento de união e de amizade. Não posso dizer que perdi só um amigo ou que perdemos um advogado porque perdemos um parceiro de grande afeto e, para mim, um pai”.

 

Hilton  Mendes, advogado – “Ele trabalhou comigo por mais de 10 anos. Sempre foi um grande companheiro, uma pessoa muito ágil nas decisões. Na minha empresa, ele começou como motorista , depois estudou, se formou e passou a atuar como advogado, mostrando este lado de garra e de determinação. Entre os 100 estagiários que já tive me minha empresa, ele sempre esteve entre os melhores”, disse ele, desculpando-se por estar muito emocionado.

 

Wanderson Omar Simon,  vice-presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB-ES -  “A perda do nosso amigo Emerson Vieira é imensurável, pois, além de perdermos um grande amigo, perde, também, a advocacia e perde também o direito no Espírito Santo. Pessoa de índole inigualável e que vai deixar saudades em todos os membros da comissão, que sempre viram nele um combatente, um grande guerreiro. Seu falecimento nos enche de indignação e esperamos que tudo seja apurado e que a Justiça possa dar uma resposta à sociedade e à advocacia do Espírito Santo“.

 

Edlamara Rangel, advogada de Cariacica e secretária-adjunta da Subseção e presidente da Comissão da Mulher Advogada – “Quando nos deparamos com uma situação como esta, com um advogado tendo sua vida ceifada, ficamos tristes. Aliás, é toda a advocacia que sofre com este golpe. Hoje, toda a advocacia está em luto. Eu venho aqui, apesar de não ser criminalista, por entender que esta dor é nossa. Os advogados precisam ser respeitados, o cidadão precisa ser respeitado. Nós, como profissionais, precisamos ter uma valorização maior e exigimos, efetivamente exigimos, que este caso seja apurado e que cada detalhe deste crime seja elucidado para podermos dar respostas tanto para os nossos advogados e advogados, mas também, para toda a sociedade capixaba”.

 

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