Advogados, biólogos e engenheiros fazem visita técnica ao Rio Doce
Os advogados, biólogos e engenheiros que fizeram uma visita técnica no Rio Doce, em Colatina, no noroeste do estado, na última sexta-feira (20), ficaram impressionados com o cenário de degradação. Os membros da Comissão Especial da OAB-ES, constituída para acompanhar os trabalhos após o rompimento das barragens em Minas Gerais, estiveram no município, acompanhados por técnicos do Conselho Regional de Biologia da 2ª Região e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, e fizeram questão de ir pessoalmente à beira do Rio Doce.
Advogada e biólogos fazendo análise no Rio Doce
A equipe observou a situação da bacia hidrográfica e viu as consequências ambientais da tragédia com vários camarões mortos às margens do rio. Os advogados e conselhos estão acompanhando de perto como estão as ações de reparação dos danos e o apoio dado à população.
Engenheiro agrônomo do CREA, Biólogo e advogada observando os impactos da lama


Os representantes da Ordem, do CRBio-02 e do CREA entregaram ao secretário de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, João Coser, um memorando de entendimento para formalizar a integração dos trabalhos.
“O documento oficializa a união de esforços. A proposta é criarmos comissões em cada um dos conselhos para que possamos dinamizar, por meio de um fórum, todo o acompanhamento da recuperação da bacia do Rio Doce, juntamente com os órgãos ambientais de âmbito federal e estadual e o comitê de bacia hidrográfica. Diante do secretário que está à frente dos trabalhos em Colatina, nos colocamos à disposição, com o objetivo de cooperar, cada um com sua área de expertise”, afirmou a advogada Stella Emery Santana, especialista em direito ambiental e membro da Comissão da OAB-ES.

Durante a inspeção em Colatina, a equipe também esteve com o prefeito Leonardo Deptulski e com o ministro de Integração Nacional, Gilberto Occhi. Ele afirmou que a captação de água no Rio deve ser restabelecida nos próximos dias.
Para Stella Emery, a situação do município de Colatina entristece. “Nós não estamos vendo de fato a lama da maneira como ela atingiu Minas Gerais, mas ainda assim o sentimento é de consternação. Vimos muitos camarões mortos na beira do rio. Mas nossa expectativa é de que possamos ver o rio melhor, então temos que trabalhar pela recuperação hidrográfica do Rio Doce.”
O advogado Orlindo Francisco Borges, membro da Comissão e especialista em direito ambiental, afirmou que a visita a Colatina foi extremamente positiva. “Esse foi um primeiro passo para a formação de um comitê multidisciplinar de ação integrada entre os conselhos, que servirá inicialmente para o enfrentamento desta crise, mas que não se resumirá a isso. Vamos fortalecer os canais entre a OAB-ES, CRBio e CREA.”
O biólogo do Conselho Regional de Biologia, Marcos Loureiro Madureira disse que, “considerando o impacto atual não há como dimensionar o quanto o meio ambiente esta sendo lesado pelo acidente que ocorreu. Somente depois que passar este primeiro momento, teremos como avaliar quais os impactos reais ocasionados, que vão se instalar no ambiente. De imediato podemos afirmar que falta oxigênio para os animais que vivem no rio, ocasionando mortes e consequentemente impactando toda a cadeia alimentar, diminuindo a biodiversidade local.”
O engenheiro agrônomo do CREA, José Adilson de Oliveira, salientou que a preocupação com o abastecimento tem que ser imediata. Mas ele faz um alerta sobre um cuidado posterior na hora de contratar os profissionais que vão trabalhar na recuperação do Rio. “Quando começarmos a pensar na recuperação do rio temos que nos preocupar com a qualidade das empresas e dos profissionais envolvidos neste trabalho. Os conselhos precisam ficar atentos, por isso estamos unidos para exigirmos que sejam contratados profissionais e empresas competentes, habilitados a desempenhar o trabalho”, enfatizou.
Fornecimento de água
Para fornecer água à população foram colocadas caixas tanques em alguns bairros da cidade, mas a água acaba e nem todos os moradores conseguem pegar, têm que aguardar pelo reabastecimento. A dona de casa Marta Helena Lamburghini nos relatou que a água do tanque no bairro Honório Fraga acabou por volta de 12h e até às 17h30 ainda não tinham feito o reabastecimento. Os moradores utilizam baldes, garrafas, potes e tudo que conseguem pegar para armazenar a água.
Em outro bairro presenciamos uma enorme fila ao longo da rua com pessoas de várias idades como crianças, idosos, mulheres e homens em baixo de chuva em busca de dois litros de água, que eram distribuídos por voluntários em cima de um caminhão.
As ações imediatas tomadas para não deixar a população totalmente sem água também serão acompanhadas pelos membros da Comissão da OAB-ES.
A Comissão da OAB-ES fará reuniões com os conselhos para definir as estratégias de ação.

