Advogadas, mulheres que removem pedras e plantam flores



“Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores”. A citação da poetisa Cora Coralina é a tradução perfeita da mulher advogada. No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Espírito Santo (OAB-ES) homenageia as advogadas capixabas. Hoje elas somam 42% dos inscritos na Seccional, são 6.016.

Na Diretoria da OAB-ES, dos cinco membros, dois são mulheres, Flávia Brandão Maia Perez, vice-presidente, e Maria Madalena Selvatici Baltazar, tesoureira. A elas se unem mais 11 advogadas que ocupam os cargos de conselheiras seccionais. Sem contar as inúmeras profissionais que também militam em defesa da classe, participando das diretorias Subseções, das Comissões Permanentes e Especiais da Ordem, nas lutas em defesa das prerrogativas dos advogados, em defesa da justiça, da democracia e da cidadania.

A seguir, nove advogadas dão seus depoimentos. Cada uma delas fala um pouco sobre o Dia Internacional da Mulher, das suas vivências profissionais, pessoais e sobre os valores que orientam e conduzem suas vidas.

 

Flávia Brandão Maia Perez (Vice-presidente da OAB-ES)

O 8 de Março é um dia para se refletir sobre os fatos que marcaram a história da emancipação feminina e que deram origem a essa data. Não é apenas um dia de comemoração. Mais do que ser mulher advogada, acho que vale a pena dizer o que é ser mulher. É vivenciar uma tripla jornada, porque é cuidar de casa, do filho, estar bem enquanto mulher e profissional. O grande número de mulheres atuando na advocacia demonstra por si só nossa capacidade de superação e a busca cada vez maior por um lugar no mercado de trabalho. Ser mulher é realmente muito especial.

 

Maria Madalena Selvatici Baltazar (Tesoureira da OAB-ES)

Hoje as mulheres estão presentes na advocacia, tanto numericamente, a exemplo da nossa Seccional, quanto nas entidades que representam a classe. Temos, atualmente, 13 advogadas - Meninas da Ordem - integrando o quadro da Diretoria e do Conselho Seccional da OAB-ES e essa participação, certamente, tende a ampliar gradativamente a cada gestão.

Na Magistratura e Ministério Público também vemos mais e mais mulheres presentes e ocupando espaços importantes nos Tribunais Superiores. Devemos isso a nossa coragem de romper barreiras, de seguir em frente com firmeza, sem perder nossa sensibilidade, nossas características femininas.

Venho de uma família onde a mãe, minha mãe querida, mulher de fibra, corajosa, sempre trabalhou fora. E foi assim que ela nos criou, a mim e minhas irmãs, se me permitem quatro lindas mulheres, incentivando a ocupar uma posição profissional, com garra, com atitude. Mas também a sorte andou do meu lado: sou casada há 26 anos com uma pessoa maravilhosa que sempre me incentivou a seguir meus rumos profissionais, e a ele e ao meu filho e muito dedico, pois, como mulher, entendo que esse lado é o mais precioso, doce que pode ser exercido sem causar nenhum prejuízo à carreira profissional escolhida, sem embaçar nosso lugar na sociedade.

Sou procuradora do Estado, advogada trabalhista e exerço hoje o cargo de Diretora Tesoureira da nossa Seccional, o que é para mim, além de um grande desafio, motivo de orgulho, uma vez que, no imaginário popular, a responsabilidade de cuidar das finanças é uma atividade que esteve por muitos anos associada aos homens. Assim penso que devemos buscar nosso lugar ao sol, pois somos capazes, mas nunca perdendo a doçura que é uma das nossas principais características. Um viva às mulheres. Hoje e em todos os dias.

 

Maria Helena Reinoso Rezende (Conselheira Seccional e Presidente da Comissão da Mulher Advogada)

O Dia Internacional da Mulher é um momento de reflexão e um reconhecimento às nossas antecessoras. É uma volta ao passado, de uma história bem presente daquelas que enfrentaram preconceitos, quebraram barreiras, lutaram para nos proporcionar certa igualdade nas relações humanas.

Também tenho uma visão de que nós, mulheres profissionais liberais, temos um compromisso maior perante a sociedade, de fazer um mundo melhor, formar cidadãos íntegros, usando nosso saber e conhecimento como agente de mudanças no nosso campo de ação. Quanto mais amplo ele for, mais fácil será alcançar esses objetivos.

Nós devemos estar mais envolvidas com os órgãos da nossa categoria profissional, no nosso trabalho, na comunidade em que atuamos, para podermos opinar, contribuir para formarmos lideranças femininas expressivas e conquistarmos os nossos espaços em todos os setores, inclusive na política.

Ainda temos uma árdua jornada, devendo lutar contra os baixos salários, a igualdade de salários com os profissionais masculinos, a jornada excessiva de trabalho e a violência praticada contra ela, seja em casa ou no local de trabalho através do assedio moral e sexual.

Temos um papel muito importante a cumprir não só por sermos profissionais liberais, mas por sermos simplesmente mulheres. Parabéns a todas nós.

 

Alessandra Lignani de Miranda Starling e Albuquerque (Conselheira Seccional)

O Dia Internacional da Mulher é uma data histórica, que nos remete aos avanços e direitos femininos, mostrando o caminho percorrido, as conquistas alcançadas e até onde chegamos hoje. A mulher desenvolve as atividades mais diversas, muitas vezes ao mesmo tempo, como profissional, mãe, esposa, e professora, como é o meu caso, buscando dar conta de tudo. São múltiplas funções, desempenhadas com conhecimento técnico, sensibilidade, e buscando o fortalecimento na relação equilibrada e harmoniosa mulher e homem, pois um não vive sem o outro.

 

Patrícia Santos da Silveira (Conselheira Seccional)  

Após ser mãe e dona de casa, percebi o quanto é importante a luta para alcançar a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Não há como se conceber um país desenvolvido sem essa plena igualdade, que deve ser entendida, como igualdade de oportunidades e tratamento entre os dois sexos, sem existência de discriminação em razão do sexo. Ser mulher é acolher, cuidar. São as mulheres que, nas diversas fases de nossa vida, desempenham esse papel.

 

Nara Borgo (Conselheira Seccional)

A data representa a luta das mulheres em favor do reconhecimento dos direitos inerentes a elas: a luta pela igualdade, pela não discriminação... Representa a luta das mulheres ao longo da história para que, de fato, possamos exercer e usufruir os direitos que nos são assegurados.

Representa as conquistas que devem ser lembradas, mas também aquelas que ainda não aconteceram plenamente. As mulheres ainda sofrem discriminação com relação à igualdade salarial, são vítimas da violência por parte de companheiros, por exemplo. Mesmo com muitas conquistas, a igualdade ainda não existe e continuamos lutando para que nossos direitos sejam reconhecidos.

 

 Maria da Penha Santos Faria (Presidente da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídíca - ES)

A data é muito significativa. A cada ano a mulher se une na luta pela igualdade e por seus mais sagrados direitos de ser livre e de conquistar o seu espaço. Ser mulher é ser mãe, ser amiga, é ser tudo. A mulher é um ser sublime, sabe harmonizar, amar e a mulher hoje é uma vencedora. Ser mulher é ter a paz em seu coração e distribuir a paz. Infelizmente nós ainda somos muito descriminadas. Acredito que nós somos uma ameaça porque estamos realmente conquistando nosso espaço. 

 

Bárbara Borges (Segunda-Secretária da Comissão Estadual de Advogados em Início de Carreira – CEAIC)

O Dia Internacional da Mulher representa um marco histórico que fez com que toda a sociedade machista da época olhasse para a mulher e pensasse: "Elas são fortes e tem voz alta." A comemoração desse dia, hoje, nos fortalece. Estamos superando, dia a dia, a violência e o machismo. Estamos conquistando melhores condições em todos os setores de nossas vidas, sem perder o instinto feminino e a sensibilidade.

Infelizmente, os índices da violência contra a mulher ainda são altos, e, em algumas empresas, ainda encontramos salários menores entre as mulheres que entre os homens. Mas, nós mulheres e advogadas, estamos atentas e prontas para contribuir com a finalidade de zerar esses índices, com denúncias aos órgãos competentes, além de muito, muito trabalho. 

 

Santuzza da Costa Pereira (Presidente da Associação dos Procuradores do Estado do Espírito Santo – Apes - e presidente do Conselho Deliberativo da Associação Nacional dos Procuradores de Estado - Anape)

Eu sou procuradora há quase 20 anos. Iniciei na advocacia pública no município de Viana, depois passei no concurso do município de Vitoria e, finalmente, no concurso do Estado do Espírito Santo. A minha escolha para o exercício da advocacia foi bastante natural. Minha família está sempre no seio da advocacia. Minha escolha teve como parâmetro um pai, que teve uma visão muito maior que a própria advocacia, que olhou para a advocacia como um instrumento de cidadania. Ser mulher advogada é um desafio, mas não só um desafio por ser mulher advogada, é por ser mulher profissional no Brasil de hoje. A mulher é extremamente aviltada dentro da sociedade civil, então, consolidar uma profissão é sempre muito difícil. Temos que diuturnamente provar que somos capazes. A advocacia é um ministério, não pode ser vista como uma profissão, tem que ser vista como uma proteção da sociedade civil, e o exercício diário, no foro, com o nosso cliente, é a reafirmação dessa democracia. E o exercer a advocacia pública é muito maior, porque é dar comodidade pública para o cidadão.

 

História

 O Dia Internacional daMulheres é um marco nas reivindicações e na luta damulheres por igualdade. Criado em 1910, na SegundaConferência Internacional daMulheres Socialistas, realizada em Copenhague, na Dinamarca, tornou-se uma data de referência para asmulheres mundialmente.

A partir da década de 1920, em homenagem à  mobilização damulheres russas, em 1917, o Dia Internacional daMulheres passou a ser celebrado, mundialmente, na data do 8 de março.

Várias histórias e mitos foram se formando ao longo de um século. Mas, as reivindicações e mobilizações damulheres contra a discriminação e pela construção de um mundo com igualdade é a marca indelével do Dia Internacional daMulheres.

(Fonte: Site da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República)

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