Notícias

OAB-ES denuncia abuso no uso de escutas telefônicas e leva o caso ao CNJ

Publicado em 11 de Maio de 2009 • 17:08

OAB-ES denuncia abuso no uso de escutas telefônicas e leva o caso ao CNJ

Vitória, 11/05/2009 - A OAB-ES, por meio da sua Comissão de Direitos Humanos, tem adotado uma série de medidas em relação ao uso genérico de escutas telefônicas no Estado.


Entre as ações, estão os ofícios e cópias enviados ao Conselho Federal da OAB, ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Clandestinas do Senado, sobre o processo nº 130116-08 protocolado na entidade, referente à quebra de sigilo de informações mantidas pelas operadoras de telefonia, determinada de forma genérica por um juiz de Direito da Vara de Inquéritos Criminais de Vitória.


No processo, a decisão do magistrado foi questionada pela operadora Claro, que impetrou Mandado de Segurança com Pedido de Liminar contra o que denominou de "ato abusivo". Em decisão proferida no expediente nº 334/2008, no dia 19 de setembro de 2008, o juiz determinou que a Claro e outras 18 operadoras de telefonia cadastrassem alguns nomes de policiais e delegados ligados às áreas de atuação da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria do Estado de Segurança Pública e Defesa Social.


Ainda na determinação do juiz, os nomes por ele mencionados teriam livre acesso por um ano a todos os dados cadastrais de telefones fixos e móveis; o número das linhas, os dados cadastrais do proprietário, como endereço residencial, comercial, e, ainda, o número do protocolo utilizado nos serviços de internet; o histórico das chamadas, bem como o detalhamento de todos os registros efetuados e recebidos; o número serial, que bloqueia o aparelho em caso de roubo ou perda; entre outros.


Todas as exigências feitas pelo magistrado são citadas no Mandado feito pela Claro como uma "determinação que reveste-se de patente ilegalidade e abuso", seja pela violação do direito à privacidade ( art.5, inciso X da CF, e arts. 3 e 72 da Lei nº 9.472/97 da Lei Geral das Telecomunicações pelo caráter genérico e indeterminado.


No documento a empresa coloca ainda que não há menção, na determinação judicial de qualquer número de processo em trâmite perante o juízo; nem a que se refere, quais são os processos, e nem quem são os investigados.


Diante das gravidades dos fatos denunciados, a Comissão de Direitos Humanos da Seccional, por meio do seu presidente André Luiz Moreira, ressalta nos ofícios enviados à OAB, ao CNJ e à CPI dos Grampos a sua perplexidade diante da "facilidade com que são justificadas e deferidas medidas de tamanha gravidade, de forma genérica e não lastreada em investigação criminal específica, tornando o instrumento de interceptação telefônica, imprescindível para a elucidação de determinados crimes, em instrumento de violência à intimidade e à garantia de inviolabilidade das comunicações telefônicas, como estabelecido na Constituição Federal".


A CDH também questiona que de acordo com a decisão do magistrado, as autorizações genéricas para quebra de sigilo pelas operadoras de telefonia vinham ocorrendo desde 2004, e poderão voltar a acontecer, já que a suspensão da determinação de quebra de sigilo se limita a Claro.
A Comissão aguarda a resposta das entidades oficiadas. No CNJ, o processo está concluso para decisão, aguardando despacho.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Em Brasília, Erica Neves leva posição da advocacia capixaba ao debate nacional da OAB sobre crise no STF

COLÉGIO DE PRESIDENTES EM BRASÍLIA

Em Brasília, Erica Neves leva posição da advocacia capixaba ao debate nacional da OAB sobre crise no STF

O Colégio de Presidentes aprovou o protocolo imediato de uma manifestação formal da OAB ao presidente do STF

OAB-ES aprova, por maioria, defesa de afastamento cautelar de Alexandre de Moraes e suspeição de Paulo Gonet

APROVAÇÃO CONSELHO PLENO

OAB-ES aprova, por maioria, defesa de afastamento cautelar de Alexandre de Moraes e suspeição de Paulo Gonet

Decisão aprovada pelo Conselho Pleno também prevê acompanhamento institucional da situação de André Mendonça; posicionamento será apresenta...

OAB-ES e MPT/ES avançam em parceria para estudos e aplicação da NR-01

NR-01

OAB-ES e MPT/ES avançam em parceria para estudos e aplicação da NR-01

A proposta é criar um grupo de estudos dedicado ao tema, possibilitando a análise de casos, o debate sobre novas situações.

Conselho Pleno da OAB-ES debate atualização da tabela de honorários e aprova Protocolo Lilás

CONSELHO

Conselho Pleno da OAB-ES debate atualização da tabela de honorários e aprova Protocolo Lilás

Reunião também tratou de pautas de interesse da advocacia capixaba