Notícias

O "marco civil" e a Internet que queremos

Publicado em 26 de Novembro de 2013 • 16:13

O

Encontra-se em tramitação no Congresso, com perspectivas de votação ainda neste ano, o projeto de lei conhecido como “Marco Civil da Internet”. Trata-se de proposta de notável importância para a vida cotidiana, na medida em que busca concretizar uma série de direitos fundamentais com a adoção de regras claras para regular as relações entre usuários e provedores de serviços de Internet. 

Se por um lado é necessário ter em mente que a Internet é um dos grandes potencializadores da criatividade e da inovação (sendo, portanto, imprescindível mantê-la da forma mais livre possível), por outro lado há que se considerar que a atuação estatal pode e deve ocorrer justamente para garantir tal liberdade. Aqueles que vêem uma oposição natural entre Estado e liberdade ignoram que as pessoas, mesmo na Internet, não estão em pé de igualdade, na medida em que todos dependemos dos prestadores de serviços de Internet para a utilização de ferramentas hoje já imprescindíveis para nosso dia-a-dia. 

A regulação legislativa, porém, não pode se dar de maneira arbitrária e unilateral. Daí a importância do movimento de elaboração do projeto original do Marco Civil, que ocorreu de forma colaborativa no website Culturadigital.br, pelo qual foi oportunizado a várias pessoas e entidades da sociedade civil a participação mediante sugestões e opiniões. É recomendável, porém, excluir do citado projeto normas como o artigo 12, que concede um poder discricionário à Presidência da República para determinar que alguns prestadores de serviço de Internet a “instalarem ou utilizarem estruturas para armazenamento, gerenciamento e disseminação de dados em território nacional”, regra casuística que em nada garante a privacidade e a segurança dos reais destinatários do Marco Civil: os usuários de Internet. 

Por isso, há que se recordar que a finalidade principal do Marco Civil deve ser a garantia de que os códigos de programação elaborados pelos prestadores de serviço de Internet sejam dominados pelos direitos fundamentais, e não o contrário, como vem ocorrendo em nossa sociedade.

Cláudio Colnago é advogado e professor de Direito Constitucional da Faculdade de Direito de Vitória (FDV). Doutorando em Direitos e Garantias Fundamentais pela FDV. Presidente da Comissão de Estudos Constitucionais da OAB/ES.

 

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Articulação da Subseção da OAB-ES da Serra resulta na inauguração de duas salas de atendimento exclusivo à advocacia no Fórum Civil

CONQUISTA

Articulação da Subseção da OAB-ES da Serra resulta na inauguração de duas salas de atendimento exclusivo à advocacia no Fórum Civil

São duas salas com oito servidores disponíveis para auxiliar nas demandas relacionadas às diferentes áreas do Judiciário.

Atuação da advocacia preservou autos originais do Caso Araceli antes de incêndio no Arquivo Geral do TJES

CASO ARACELI

Atuação da advocacia preservou autos originais do Caso Araceli antes de incêndio no Arquivo Geral do TJES

O episódio demonstra como a atuação atenta da advocacia pode contribuir não apenas para a defesa dos interesses de seus clientes, mas também p...

Atuação da Comissão de Procuradores Municipais da OAB-ES resulta em reajuste de 107% para advogados públicos de Vila Pavão

ADVOCACIA MUNICIPAL

Atuação da Comissão de Procuradores Municipais da OAB-ES resulta em reajuste de 107% para advogados públicos de Vila Pavão

O projeto de lei foi encaminhado pelo prefeito João Trancoso à Câmara Municipal e aprovado pelos vereadores

OAB-ES participa da reunião do Conselho Pleno do Conselho Federal sobre a modernização da justiça e a revisão do provimento eleitoral

NOTÍCIAS

OAB-ES participa da reunião do Conselho Pleno do Conselho Federal sobre a modernização da justiça e a revisão do provimento eleitoral

Entre os assuntos tratados esteve a integração do Banco do Brasil com os tribunais para o processamento eletrônico de depósitos judiciais e alv...