Notícias

Marcus Vinícius Coelho: A Vitória dos Direitos Humanos

Publicado em 31 de Agosto de 2012 • 08:54

Marcus Vinícius Coelho: A Vitória dos Direitos Humanos

O artigo "Vitória dos Direitos Humanos" é de autoria do secretário-geral do Conselho Federal da OAB e membro da Coordenação da Conferência de Direitos Humanos de Vitória (ES), Marcus Vinicius Furtado Coêlho:

“Sonhar um sonho impossível, Lutar quando é fácil ceder; Negar quando a regra é vender; Romper a incabível prisão; Tocar o inacessível chão; É minha lei,  é minha questão” (Joe Darion, Mitch Leigh, com versão em português de Chico Buarque).

A história da Ordem dos Advogados do Brasil se confunde com a evolução e a efetividade dos direitos humanos no país, tema central da Conferência Internacional, realizada em Vitória, pelo Conselho Federal da OAB e pela seccional do Espírito Santo, em meados do mês do advogado.

Proteger a integridade e a dignidade da pessoa humana é missão basilar de salvaguarda da ordem jurídica do Estado democrático de direito. Ao defender os direitos humanos, a Ordem propugna pela prevalência das garantias constitucionais, pondo o indivíduo em seu papel de centralidade no Estado e na sociedade.

A Carta de Vitória, resultado das deliberações e discussões da Conferência, apresenta um verdadeiro programa de atuação não apenas da OAB, como também de todas as pessoas interessadas em construir uma nação livre, justa e solidária, fundamentada no respeito à diversidade, à pluralidade e à tolerância.

Temas como direito à saúde, garantias do trabalhador, proteção ao meio ambiente e acesso à informação foram tratados como medidas de proteção dos direitos humanos.

Reafirmou-se a necessidade dos poderes públicos envidarem esforços para superar as barreiras físicas, além da alteração de atitude da sociedade, em relação às pessoas com deficiência, dando concretude a Convenção da ONU sobre a matéria.

Defendeu-se a ideia do Estado penal mínimo, exigindo-se metas de desencarceramento e extinguindo os manicômios judiciais, além de implementar o controle social da atividade policial, com o combate da violência, da tortura e do tratamento desumano e degradante, especialmente no sistema penitenciário.

Reafirmando o compromisso com a plena liberdade de informação, defendeu-se a democratização dos meios de comunicação, com a transparência e lisura nas concessões e a participação da sociedade no Conselho previsto na Constituição Federal.

Repudiou-se a relativização dos direitos da criança e do adolescente, reafirmando a necessidade de sua proteção contra a violência e a exploração sexual, lutando contra o trabalho infantil.

Foi reconhecida como conquista da sociedade brasileira a instalação da Comissão da Verdade, pugnando-se pela celeridade e publicidade de seus trabalhos. Conclamou-se o Conselho Federal e os Conselhos Seccionais da OAB no sentido de promover ações junto aos advogados e advogadas que atuaram na defesa de presos políticos, para que disponibilizem os documentos que porventura disponham, a fim de subsidiar os trabalhos da Comissão.

Em linha de princípio, foi defendida a natureza de norma constitucional de todos os tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil, bem assim rechaçada toda e qualquer forma de discriminação, seja racial, de gênero ou de orientação sexual. Reafirmou-se o ser humano como o centro gravitacional do Estado e da Sociedade, a merecer, em toda e qualquer circunstância, respeito e tratamento digno, na linha de Nelson Mandela, para quem devemos lutar por “uma sociedade democrática e livre em que todas as pessoas viverão juntas em harmonia e com oportunidades iguais”.

A Conferência de Direitos Humanos de Vitória, como se vê, produziu um amplo espectro de ideias e propostas que deverão nortear dirigentes,  militantes e a cidadania, constituindo um autêntico programa a estimular a ação da OAB, entidade que possui íntima relação com os direitos humanos. Tal qual a letra do Chico, a gente que ter voz ativa, tomar a iniciativa, no nosso destino mandar, ir contra a corrente, resistir, não permitir a vitória da roda viva do autoritarismo, da prepotência, da verdade única e da intolerância.  Construir a “brotherhood of man”, a irmandade humana, de Lennon, uma sociedade justa, fraterna e solidária de que nos fala a ordem constitucional brasileira.

 

Marcus Vinícius Furtado Coêlho é secretário-geral do Conselho Federal da OAB

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Articulação da Subseção da OAB-ES da Serra resulta na inauguração de duas salas de atendimento exclusivo à advocacia no Fórum Civil

CONQUISTA

Articulação da Subseção da OAB-ES da Serra resulta na inauguração de duas salas de atendimento exclusivo à advocacia no Fórum Civil

São duas salas com oito servidores disponíveis para auxiliar nas demandas relacionadas às diferentes áreas do Judiciário.

Atuação da advocacia preservou autos originais do Caso Araceli antes de incêndio no Arquivo Geral do TJES

CASO ARACELI

Atuação da advocacia preservou autos originais do Caso Araceli antes de incêndio no Arquivo Geral do TJES

O episódio demonstra como a atuação atenta da advocacia pode contribuir não apenas para a defesa dos interesses de seus clientes, mas também p...

Atuação da Comissão de Procuradores Municipais da OAB-ES resulta em reajuste de 107% para advogados públicos de Vila Pavão

ADVOCACIA MUNICIPAL

Atuação da Comissão de Procuradores Municipais da OAB-ES resulta em reajuste de 107% para advogados públicos de Vila Pavão

O projeto de lei foi encaminhado pelo prefeito João Trancoso à Câmara Municipal e aprovado pelos vereadores

OAB-ES participa da reunião do Conselho Pleno do Conselho Federal sobre a modernização da justiça e a revisão do provimento eleitoral

NOTÍCIAS

OAB-ES participa da reunião do Conselho Pleno do Conselho Federal sobre a modernização da justiça e a revisão do provimento eleitoral

Entre os assuntos tratados esteve a integração do Banco do Brasil com os tribunais para o processamento eletrônico de depósitos judiciais e alv...