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Publicado em 31 de Março de 2010 • 16:50
Hoje, especialmente hoje, 31 de março, quero relembrar este trecho de meu discurso de posse, transcrito a seguir.
"Vencida a ditadura, e passados mais de trinta anos da Lei de Anistia, até hoje o país não se reconciliou com sua história. Para isso, é preciso que se tenha uma Comissão da Verdade; é necessário conhecer o que aconteceu durante a ditadura - e não podemos aceitar que os torturadores tenham abrigo na lei de Anistia.
É preciso, também, que a busca pelos desaparecidos políticos seja contínua, permanente, incessante e não mero ato retórico de governantes que eleitos no tempo da liberdade têm um medo fóbico de enfrentar aqueles que destruíram a democracia em nosso país.
Sem esse reencontro necessário com a história, nossa democracia nunca será plena.
Haverá sempre uma mancha, uma nódoa, uma permanente interrogação a manter vivo e atual o discurso de Alencar Furtado: 'Para que não hajam lares em prantos; filhos órfãos de pais vivos - quem sabe... - mortos, talvez... Órfãos do talvez e do quem sabe. Para que não hajam esposas que enviúvem com maridos vivos, talvez; ou mortos, quem sabe? Viúvas do quem sabe e do talvez'."
Homero Junger Mafra - Presidente da OAB-ES
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