Notícias
Conselho Federal da OAB: 'Não nos peçam silêncio, somos a advocacia', diz coordenador do Colégio de Presidentes
Publicado em 27 de Novembro de 2017 • 20:35
*Publicado originalmente pelo Conselho Federal da OAB
São Paulo - “Não nos peçam silêncio. Somos a advocacia”, afirmou o coordenador do Colégio de Presidentes de Seccionais da OAB, Homero Mafra, em seu discurso na abertura da XXIII Conferência Nacional da Advocacia Brasileira, realizada na manhã desta segunda-feira (27), em São Paulo. Presidente da OAB do Espírito Santo, Mafra ressaltou a importância da classe nos momentos turbulentos que o Brasil atravessa, criticando as práticas de um Estado policial e a baixa prestação jurisdicional no país.
Falando em nome dos 27 presidentes de Seccionais da Ordem, Homero Mafra disse que a história das Conferências Nacionais é a história da luta da advocacia em defesa da cidadania brasileira. “Sempre foi assim. A advocacia brasileira, ao longo do tempo, teve compromisso com a defesa dos direitos humanos, contra o autoritarismo, contra as ditaduras, contra qualquer forma de opressão, disfarçadas ou não”, discursou. “Não será diferente agora, nesses tempos difíceis que vivemos.”
Para Mafra, a força da OAB e da própria advocacia está na simbiose com a sociedade civil. “A nós não importa assumirmos bandeiras aparentemente, e só aparentemente, impopulares. Nosso compromisso é com a defesa dos direitos fundamentais, com a defesa da vida, da democracia e da liberdade. Não tememos a impopularidade, se essa for a medida da defesa das liberdades públicas. A advocacia não faltará à cidadania”, explicou.
Ao classificar a situação atual do país, o coordenador do Colégio de Presidentes afirmou que são tempos de intolerância, censura, intimidação e profunda crise ética, “marcada por condutas que fogem das práticas republicanas e envergonham o povo brasileiro”. “Sofremos com a corrupção que sonega riquezas do país e, mais que tudo, corrói o sentido ético da atividade pública, indispensável à construção da democracia plena”, asseverou.
Reiterando o apoio da advocacia ao combate à corrupção, Mafra ponderou que não se pode apoiar o “salvacionismo reducionista que imola das liberdades públicas”. “Não saímos de uma ditadura para construir outra, para aceitarmos, passivamente, o Estado Policial que viola as prerrogativas da advocacia e fere o estatuto da defesa”.
“A advocacia não aceita as conduções coercitivas abusivas, ao arrepio da lei, na busca de humilhar e extorquir confissões. Não aceitará os mandados genéricos, que fazem a busca se transformar em devassa ou os mandados de busca coletiva que criminalizam a pobreza. Não aceitamos que as normas constitucionais de garantia sejam desprezadas. O germe do autoritarismo não pode florescer”, afirmou, lembrando a morte do reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier, que se suicidou após ser preso provisoriamente em uma investigação.
“No instante presente estamos assistindo a uma verdadeira cruzada obscurantista, a pretexto da defesa de valores que a todos são caros, mas cuja sustentação não autoriza o ataque a princípios constitucionais, como a liberdade de expressão. Nos recusamos a trilhar esse caminho e a substituir o debate de ideias por práticas medievais. Nos recusamos a sermos algozes da liberdade”, explicou.
Homero Mafra cobrou então um Judiciário forte, “que faça a distribuição real da Justiça” e “que não carregue consigo o estigma de privilégios incompatíveis com a conduta republicana que se espera dos membros do Poder”. Criticou então a prestação jurisdicional no país, com processos que se acumulam, sentenças que não chegam, juízes distantes do povo, situação que se agrava nas pequenas comarcas.
Por fim, saudou mais uma vez o papel da advocacia. “À advocacia brasileira cabe fazer o bom combate, denunciando todas as formas de violência, todas as formas de prepotência, todos os ataques à democracia. Não temos medo. Esse sentimento não nos pertence. Da advocacia não esperem outra coisa que não a defesa dos direitos humanos, das liberdades públicas, das minorias, dos princípios republicanos, do combate à opressão. Não nos peçam silêncio. Somos a advocacia”, finalizou.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
CONQUISTA
Articulação da Subseção da OAB-ES da Serra resulta na inauguração de duas salas de atendimento exclusivo à advocacia no Fórum Civil
São duas salas com oito servidores disponíveis para auxiliar nas demandas relacionadas às diferentes áreas do Judiciário.
CASO ARACELI
Atuação da advocacia preservou autos originais do Caso Araceli antes de incêndio no Arquivo Geral do TJES
O episódio demonstra como a atuação atenta da advocacia pode contribuir não apenas para a defesa dos interesses de seus clientes, mas também p...
ADVOCACIA MUNICIPAL
Atuação da Comissão de Procuradores Municipais da OAB-ES resulta em reajuste de 107% para advogados públicos de Vila Pavão
O projeto de lei foi encaminhado pelo prefeito João Trancoso à Câmara Municipal e aprovado pelos vereadores
NOTÍCIAS
OAB-ES participa da reunião do Conselho Pleno do Conselho Federal sobre a modernização da justiça e a revisão do provimento eleitoral
Entre os assuntos tratados esteve a integração do Banco do Brasil com os tribunais para o processamento eletrônico de depósitos judiciais e alv...