Notícias

Artigo: "O que fica disso tudo?"

Publicado em 18 de Abril de 2017 • 15:20

Artigo:
*Por Homero Junger Mafra, presidente da OAB-ES

Estamos todos estarrecidos com a delação da Odebrecht, com a chamada “Lista do Fachin”. Políticos reputados sérios junto com antigos conhecidos do noticiário quase policial que permeia as páginas políticas.

As delações atingiram a todos, em todos os níveis da vida política e de todos os partidos. “As minhas contas foram aprovadas pela justiça eleitoral” e “podem quebrar meu sigilo” foram e são as respostas comuns, desculpas corriqueiras – e esfarrapadas.

Sim, as contas oficiais foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. Mas foi, efetivamente, o valor declarado o que foi gasto nas campanhas? Nenhuma despesa extra? A doação foi feita em conta pessoal do candidato?

Devem pensar que somos todos tolos, patetas.

A verdade é que tivemos a exposição de uma chaga viva da atividade política: a promiscuidade entre doadores (empresas, em sua grande maioria) e a classe política, com os doadores se beneficiando, na maioria das vezes, da boa vontade dos que receberam a doação.

Marcelo Odebrecht chegou a dizer que não há campanha política sem “caixa 2”, o que ninguém negou.

O que fica disso tudo?
Para mim, a necessidade de repensar toda a forma de financiamento das campanhas políticas no Brasil, mas com a clareza de que só a reforma política não soluciona o problema.

Alguns sustentam ser preciso uma constituinte exclusiva para a reforma política, feita por cidadãos sem mandato e eleitos especificamente para esse fim, sem possibilidade de reeleição posterior.

Mas podem os atuais detentores de mandatos ficar impedidos de disputar o mandato para a Constituinte? Essa proposta não é discriminatória?

Outra coisa: com toda a crise do atual sistema político, não podemos cair em soluções autoritárias que, ao fim e ao cabo, resvalem para a negação da representação popular.

E as reformas em curso? Têm os atuais parlamentares legitimidade para implementá-las?

Existem dois tempos: o tempo da justiça e o tempo da política. O da justiça mais lento, mais vagaroso. O tempo da política, o tempo presente. E é esse tempo presente que tem que guiar a ação, em benefício de um País atônito com tudo o que assiste.

Como? De que forma?

Um grande pacto nacional, culminando em eleições gerais, é também uma possibilidade aventada.

Mas qualquer que seja o caminho, uma coisa é certa: tudo tem que ser apurado. Tudo precisa ser visto, com direito à ampla defesa, ao contraditório e sem julgamentos antecipados.

Ninguém, em sã consciência, pode defender o linchamento, o julgamento sem defesa ampla, sem contraditório. Mas tudo tem que ser apurado e todos investigados.

Ainda que se separe o que foi “apenas” caixa 2 do que foi efetivamente corrupção, do que foi barganha, do que foi desvio de obras, tudo tem que ser minuciosamente investigado, para que o País saiba o que ocorreu.

É preciso apurar.

Afinal, como disse o Presidente do Conselho Federal da OAB, Cláudio Lamachia, “Ninguém está imune de prestar contas à cidadania”.

*Publicado originalmente no jornal O Estado do ES. Veja mais.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Articulação da Subseção da OAB-ES da Serra resulta na inauguração de duas salas de atendimento exclusivo à advocacia no Fórum Civil

CONQUISTA

Articulação da Subseção da OAB-ES da Serra resulta na inauguração de duas salas de atendimento exclusivo à advocacia no Fórum Civil

São duas salas com oito servidores disponíveis para auxiliar nas demandas relacionadas às diferentes áreas do Judiciário.

Atuação da advocacia preservou autos originais do Caso Araceli antes de incêndio no Arquivo Geral do TJES

CASO ARACELI

Atuação da advocacia preservou autos originais do Caso Araceli antes de incêndio no Arquivo Geral do TJES

O episódio demonstra como a atuação atenta da advocacia pode contribuir não apenas para a defesa dos interesses de seus clientes, mas também p...

Atuação da Comissão de Procuradores Municipais da OAB-ES resulta em reajuste de 107% para advogados públicos de Vila Pavão

ADVOCACIA MUNICIPAL

Atuação da Comissão de Procuradores Municipais da OAB-ES resulta em reajuste de 107% para advogados públicos de Vila Pavão

O projeto de lei foi encaminhado pelo prefeito João Trancoso à Câmara Municipal e aprovado pelos vereadores

OAB-ES participa da reunião do Conselho Pleno do Conselho Federal sobre a modernização da justiça e a revisão do provimento eleitoral

NOTÍCIAS

OAB-ES participa da reunião do Conselho Pleno do Conselho Federal sobre a modernização da justiça e a revisão do provimento eleitoral

Entre os assuntos tratados esteve a integração do Banco do Brasil com os tribunais para o processamento eletrônico de depósitos judiciais e alv...