Notícias
Artigo: Já não era mais terça, mas também não era quarta
Publicado em 01 de Dezembro de 2016 • 20:30
Artigo publicado originalmente no jornal A Gazeta desta quinta-feira (01). Mais uma homangem da OAB-ES a equipe da Chapecoense.
O título que abre este texto foi originalmente cunhado para uma reportagem da revista Piauí de agosto deste ano. Nele, um pai conta como lida com a morte recente da filha de apenas oito anos, vítima da popular supergripe. A matéria é linda. A história, tristíssima. A contradição entre a beleza das palavras e a dureza da vida talvez ajude a entender esse 29 de novembro de 2016.
Desde as primeiras notícias que confirmaram o trágico destino do voo que levava a equipe da Chapecoense, jornalistas e comissão técnica para a Colômbia, essa frase martelava meus pensamentos. Afinal, quando as últimas notícias eram transmitidas dos mais diversos meios, não era mais terça-feira, mas também não era quarta.
Não era quarta porque quarta é um dia particularmente feliz para aqueles que gostam de futebol. Tem rodada. E veja que não falamos aqui de mais um dia qualquer na história do velho esporte bretão. Tratava-se do dia em que o sonho internacional de uma equipe do interior de Santa Catarina, de apenas 43 anos, se tornava realidade. Era o dia de extravasar, de soltar o grito, de provocar o amigo e esquecer os problemas por um par de horas. Mas esse dia nunca aconteceu.
E não bastam os esforços da CBF em adiar todo o calendário nacional, não basta a Conmebol suspender a decisão da Copa Sul-Americana e o Atlético Nacional (COL) declarar a Chape campeã, não bastam as homenagens e a solidariedade de todo o Mundo. Nada é suficiente porque aquela quarta nunca acontecerá. A impressão é de que o tempo parou junto com o sistema do avião e levou com ele todos os pequenos e grandes acontecimentos que uma quarta-feira de futebol reserva aos milhões de envolvidos com o esporte.
E assim, mais uma vez nos encontramos diante da tragédia. Ela que é capaz de tirar o homem da insignificância de sua rotina e o levar a refletir sobre a própria existência. É quando tomamos consciência de como tudo é tão absolutamente finito. Nesse contexto, parece adequado lembrar um trecho de Jorge Luis Borges na coletânea de contos ‘O Aleph’, quando diz o poeta que “qualquer destino, por longo e complicado que seja, consta na realidade de um único momento: o momento em que o homem sabe para sempre quem é”. Pois saibam que são bem mais que onze.
Leonardo Quarto é jornalista.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
FALSO ADVOGADO
OAB-ES alerta para golpe do falso advogado e orienta população sobre como se proteger
Com mais de 1.300 denúncias recebidas, Ordem intensifica ações contra fraudes
REESTRUTURAÇÃO
OAB-ES entrega sala de apoio à advocacia reestruturada no Fórum de Ibatiba
Espaço foi renovado e agora oferece mais conforto, equipamentos e privacidade para o atendimento de advogados e advogadas no Caparaó capixaba.
PRERROGATIVAS EM AÇÃO
TJES concede prisão domiciliar a advogada após atuação da OAB-ES
Decisão ocorre após apresentação de documentos, sustentação oral e diligência para verificar irregularidades nas condições de custódia.
CAPTAÇÃO IRREGULAR DE CLIENTES
OAB-ES aciona a Justiça contra captação irregular de clientes em serviços previdenciários
Ação Civil Pública busca impedir o exercício de atividades privativas da advocacia por empresas não habilitadas e combater práticas de concor...