Relações de família conduzem debate do Cine OAB com auditório lotado nesta quarta (08)

O auditório da OAB-ES ficou completamente lotado na noite desta quarta-feira (08) durante mais uma edição do Cine OAB com discussão sobre relações familiares a partir da exibição do filme “Precisamos Falar sobre Kevin”. 

Para o advogado e presidente da Comissão de Direito de Família da Seccional, José Eduardo Coelho Dias, que foi um dos debatedores da noite, o Cine OAB é muito relevante, pois “a arte, o cinema, ativa nossa sensibilidade e nos permite refletir nossa própria postura profissional sobre temas que as vezes nos escapam. ” 

José Eduardo destacou em sua fala com base no filme, a necessidade que o advogado tem de escutar e observar seu cliente. “Esse momento do atendimento, principalmente para quem atua na área de família é muito importante e assim como o personagem tinha uma série de transtornos por não ser visto pela mãe, por vezes o advogado quando não enxerga bem as reais necessidades do cliente acaba por não oferecer todo o serviço que sua capacidade técnica pressupõe”, frisou. 


De acordo com a Psicanalista, membra da Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória, Vera Saleme Colnago, que também foi convidada para debater o tema, o filme mostra questões fundamentais para o entendimento do que se passa no mundo hoje. “Os estudantes de direito, advogados, assim como os psicanalistas precisam ler o que se passa na atualidade no que diz respeito às questões humanas. O filme nos ofereceu esses elementos que fizeram com que nós na discussão debatêssemos o que ocorre com o homem hoje.” 

Durante sua apresentação a psicanalista destacou as questões vivenciadas no mundo e seus efeitos no psiquismo humano como o ódio e a violência. “O filme mostra o nascimento do ódio, a ‘falta de amor’ e como consequência o ato criminoso violento, então fazendo um link com esses elementos tentei apontar a importância de escutarmos a história de um determinado sujeito para que possamos levantar os elementos para além do ato criminoso. Isso é fundamental para qualquer profissional que trabalhe com o ser humano. Não basta só termos conhecimento técnico das leis, é preciso poder escutar o ser humano envolvido no ato criminoso”, destacou. 

O presidente da Comissão de Ensino Jurídico da Ordem, organizadora do Projeto, Luiz Augusto Bellini, avaliou o evento como extremamente importante e esclarecedor com os debates conduzidos pelo advogado José Eduardo e pela psicanalista Vera Colnago. “Ficou comprovado que as consequências jurídicas advindas das relações familiares não podem ficar adstritas à interpretação fria da lei. Os aspectos psicológicos devem pautar a atuação do advogado na condução de casos dessa natureza. Especialmente para os acadêmicos em Direito, que mais uma vez lotaram o Auditório da Ordem, foi uma complementação acadêmica importantíssima”, ressaltou.

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