Diversidade e Respeito

Junho é o mês internacional do Orgulho LGBTI+




O dia 28 de junho é marcado pela Revolta de Stonewall de 1969 e é celebrado como o dia internacional do Orgulho LGBTI+. 

Neste dia, há 51 anos, Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera travestis negras num bar chamado Stonewall Inn lideraram um protesto revoltoso em reação às recorrentes perseguições dos policiais de Nova Iorque e ao sistema jurídico anti-homossexual vigente. A rebelião é tida como o mais importante e marco inicial de Liberação e Promoção de direitos LGBTI+ no mundo.

De lá pra cá os movimentos por liberdade sexual tomaram forma em vários países e conquistaram direitos civis a partir da luta política. Desde então os junhos são marcados pelos tons coloridos da bandeira e são retomadas as histórias de formação do movimento no século XX.

Mas o que é pouco dito é que a história da resistência das sexualidades dissidentes nas Américas não começa pelo século XX. Bem antes da colonização, os povos originários de Pacha Mama (ou ‘Mãe Terra’, antes da América ser América) em suas as múltiplas culturas e cosmovisões já possuíam modos outros de exercer a sexualidade.

A exemplo dos povos Tikuna da região da Amazônia. Eles já conheciam bem e exerciam todas as práticas sexuais e de gênero que hoje são chamadas de “homo, bi, trans, etc” e que na história de colonização foram condenadas e banidas pela Igreja e pelas Coroas ocidentais. Esse processo, no entanto, não ocorreu sem a resistência desses povos. 

Além da destruição cultural nas Américas, também a colonização trouxe a ruína a muitos povos da África. 

O continente africano também abrigava milhares de povos e cosmovisões com diferentes perspectivas sobre gênero e sexualidade. Onde a homossexualidade, bissexualidade e transgeneridade já existiam e, em alguns casos, eram até cultuadas. 

O sequestro, comércio e colonização de africanos nas Américas implicaram na precarização dos seus vínculos tradicionais, modos de gestão familiar e suas culturas foram consideradas amaldiçoadas.

No Brasil, regime colonial escravocrata tem também sua base no estupro, principalmente das mulheres indígenas e negras escravizadas, mas não só. 

O abuso e a hiperssexualização do povo negro não considerava os limites culturais e legais do ocidente. Por isso, aos senhores brancos era permitido tudo fazer com suas "posses".

A resistência negra à escravidão no Brasil tomou a forma principalmente de revoltas e quilombos ao longo de todo o período colonial e mantém sua luta contra os inúmeros ataques até nos dias atuais.

A nossa história colonial é, portanto, a da obliteração de diversas vidas e modos de viver, cujo grau de destruição torna o prejuízo humanitário incalculável. 

Só que esse é um passado-presente. Ainda hoje há povos indígenas de várias etnias no Brasil com LGBTI+ entre seus membros, ainda hoje esses povos resistem pela preservação de seus territórios e modos de vida. 

Ainda hoje há negros e negras, das favelas aos condomínios, gays e lésbicas, travestis e homens trans, bissexuais e tantos outros, que precisam resistir para sobreviver numa sociedade que não lhes dá espaço, trabalho, educação, dignidade e representatividade.

É por isso que nesta ocasião optamos por fazer esse destaque: as várias formas de resistência dos povos indígenas e pessoas negras escravizadas e não-escravizadas no Brasil, desde o passado colonial até o presente neoliberal, compõem também o orgulho e a luta LGBTI+ no século XXI. 

Sem levar em conta esses povos e culturas, não há Brasil possível. 

A Seccional capixaba, por meio das suas comissões de Diversidade Sexual e Gênero, de Igualdade Racial e de Direitos Humanos, reforça que defender o orgulho e os direitos população LGBTI+ é também defender um projeto de sociedade inclusivo, em que LGBTI+ indígenas e negros permaneçam vivos, tenham dignidade e orgulho de si. 

Ser LGBTI+ é (e deve ser) motivo de orgulho!

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