Comissões em Debate

Jovem advocacia comemora redução da cláusula de barreira



Promover a união dos 8.276 jovens advogados capixabas, proporcionar a qualificação técnica para os jovens advogados tanto da Grande Vitória quanto do interior, a inserção no mercado de trabalho e participação dentro da ORDEM estão entre as missões do presidente da Comissão da Jovem Advocacia da OAB-ES, Ramon Ferreira Lopes.

Uma vitória da jovem advocacia citada por Ramon foi a redução a cláusula de barreira nas eleições da OAB, que diminuiu de cinco para três anos o tempo de exercício profissional necessário para que advogados se candidatem aos cargos de conselheiro seccional e das subseções da OAB.

Leia na íntegra a entrevista dessa liderança jovem da advocacia capixaba para série “Comissões em debate” .

 1- Quais são os planos da comissão para este ano?

Para este ano a Comissão da Jovem Advocacia busca incansavelmente a união de todos os 8.276 jovens advogados capixabas. Confesso que é uma tarefa árdua, no entanto, não é impossível. Costumo sempre recitar a frase de Nelson Mandela “Tudo parece impossível até que seja feito” , e esta tem sido a motivação dos nossos trabalhos. Acredito que temos uma longa jornada pela frente, principalmente em proporcionar a qualificação técnica para os jovens advogados tanto da Grande Vitória e do interior. Ademais, nossos desafios vão além dos trabalhos e cursos, temos que lutar pela inserção no mercado de trabalho, interiorização, democracia e pela sociedade. Todos  os nossos planos abrangem tudo aquilo que possa capacitar de forma única aqueles que entram em nossa instituição.

Por exemplo, temos neste mês o IV Encontro Estadual da Jovem Advocacia, no dia 11 de outubro, e posteriormente daremos continuidade ao Curso de Iniciação à Carreira Jurídica tanto na Capital quanto no Interior. A Comissão da Jovem Advocacia luta pela união, defesa das prerrogativas, defesa da dignidade da profissão, interiorização, modernização, aprimoramento, democracia e igualdade.

2- Ao assumir a Comissão da Jovem Advocacia, qual a missão como líder de representatividade para os jovens advogados?

Acredito veemente que os pontos principais de um líder de representatividade para os Jovens Advogados são a empatia e o saber ouvir. Diariamente somos impactados com histórias, problemas e lutas de diversas realidades muitas vezes vividas por nós, outras não. No entanto, cabe a um líder não só ouvir, como também ajudar o jovem advogado com toda e qualquer demanda. Saliento que não é porque não passamos por algumas situações que isto possa ser um ponto desqualificador da possibilidade de se resolver um problema. Creio que devemos sair da zona de conforto, ouvir e lutar em conjunto. A representatividade se faz quando há confiança na pessoa que desempenha o papel de líder, e isso se constrói nas relações interpessoais. Um verdadeiro líder não só entende e valoriza a importância daqueles que estão no mesmo patamar como também ouve, defende e luta. Entendo que todo mérito e conquista não se faz por meio de uma única pessoa, nem conseguimos algo sem termos pessoas nos apoiando e nos ajudando. Outro ponto importante de um líder da jovem advocacia é conseguir desenvolver, em plenitude, todos os jovens advogados e as jovens advogadas. É preciso audácia, amor, respeito e coragem. É preciso cuidar de um todo, respeitando a pessoalidade, é saber entender, ser empático. Representar é se dar as mãos, chamando cada um pelo nome.

 3- E quanto aos desafios enfrentados?

O principal desafio da nossa Comissão é, sem dúvidas, a conexão e a interiorização. Desejamos que tudo que for realizado na Capital, seja também realizado no interior. Fora isto, estamos em constante trabalho desenvolvendo aquilo que os jovens advogados e jovens advogadas anseiam, desejam e necessitam. Acredito que temos que priorizar principalmente a prática, uma vez que muitos de nós saem da faculdade apenas com o conteúdo e sem saber como aplicar seu conhecimento no dia a dia.  Não obstante, uma de nossas lutas e desafios e demonstrar que, mesmo com a dificuldades que enfrentamos, podemos e vamos conseguir lutar por um ideal. A realidade do início da jovem advocacia não é a mesma demonstrada nos sucessos das redes sociais. Isso, em hipótese alguma, é a realidade da maioria de nós. E isto tem se tornado um desafio, principalmente por estarmos convivendo com profissionais que entram em um quadro de desmotivação, e até mesmo depressão, por achar que sua vida profissional não vai bem. E isto precisa acabar! Este é um enorme desafio para nós da Comissão da Jovem Advocacia. Precisamos mostrar que a vida real não é de likes fáceis, mas experiência que aos poucos se conquista. Nosso principal desafio é sermos uma jovem advocacia real, com nossas limitações e dificuldades e um mundo cada vez mais líquido.

 4- E o que você achou da redução do tempo de advocacia para ser conselheiro?

Esta é uma luta que não é de agora, temos que ser gratos a todos e todas que já passaram pela Jovem Advocacia e agradecer no engajamento que resultou nesta conquista. Sempre digo que nossa capacidade não deve ser medida pelo tempo, e sim pela capacidade técnica. Isto é uma conquista enorme e uma vitória que, enquanto jovens advogados, temos que celebrar e muito. E temos que começar a ocupar os espaços que são nossos por Direito. Isso é o reconhecimento da nova geração da Jovem Advocacia. No entanto, nossa luta continua: queremos e vamos derrubar a cláusula de barreira. Diminuir de 5 para 3 anos foi apenas o começo. Esta é uma luta legítima e revela a importância para que os jovens advogados e jovens advogadas ocupem o seio da nossa instituição.

5- Até momento, qual o maior avanço da Comissão da Jovem Advocacia?

 Acredito que avanço que temos, até agora, é a interiorização mais forte, a conexão com todas as subseções e trabalhos. E isso é graças às tecnologias que vamos implementando nas nossas atividades. E vamos continuar a conquistar isso, queremos mais. Precisamos avançar nas questões como o nosso piso salarial, combater os aviltamentos e proporcionar uma inserção no mercado de trabalho. Aos poucos, vamos conseguir.

6- Que medidas fazem-se necessárias para que jovens não aceitem honorários aviltantes?

Este é um ponto bastante polêmico e, ao mesmo tempo, gosto de levar a uma reflexão. Este ano, fizemos todos os nossos cursos, até o presente momento, de graça. Entretanto, nosso Congresso, por exemplo, separamos 10% das inscrições para os jovens advogados e jovens advogadas que possuem sua inscrição no Cadastro Único (NIS), e estas foram preenchidas em poucas horas. Acredito que isto reflete imensamente a realidade de muitos. Temos profissionais formados com a carteira de advogado na mão e que passam dificuldades extremas. Quantos amigos meus já desistiram da profissão porque precisavam sustentar uma família e não tinham como se manter em um mercado de trabalho tão difícil quanto o da jovem advocacia. Esta é a questão. Ninguém quer aviltar, ninguém gosta de aviltar, se hoje um jovem advogado aceita honorários aviltantes é porque talvez seja uma questão de sobrevivência. Aqui gera um debate rico e que precisa urgentemente de uma regulamentação e sanção das empresas e escritórios que oferecem as diligências a baixo custo, o problema, em tese, não é de quem aceita, e sim de quem oferece. Se temos próprios colegas de carreira que não respeitam nossos honorários, fica extremamente difícil querer punir ou acusar quem aceita. Acredito que já passou a hora de lutarmos de fato pela valorização da advocacia. Em se tratando de aviltamento, a mudança deve partir de cima para baixo e principalmente conscientizando a jovem advocacia de que é necessário se valorizar os profissionais, aprender a precificar e denunciar o desrespeito. E isso não é uma tarefa fácil.

7- Como vê o mercado de trabalho para os jovens advogados e como eles podem se posicionar?

Sou conhecido por ser realista: o mercado de trabalho não está fácil, mas vem se inovando a cada ano. Não adianta eu querer tecer um discurso dizendo de que agora serão likes, perfumes e flores: Ser jovem advogado não é fácil. O trabalho é árduo, cansativo, competitivo e extremamente técnico. Entretanto, recompensa ao olharmos para a sociedade com a esperança de que nós podemos mudar realidades, defender e lutar por direitos e exigir justiça. O cotidiano jurídico exige de nós a empatia e a humildade. Digo isso porque não construímos ou lutamos por algo maior sozinhos, e muito menos bloqueando nossos colegas de profissão. Networking é fundamental na construção da nossa carreira.

A inovação do mercado de trabalho é cada vez mais clara. Acredito ser a hora de entrar em nichos que não foram explorados, sem esquecer do tripé: mercado, possibilidade e objetivo. De nada adianta para um jovem advogado um grande conhecimento, sem poder ter mercado para desenvolver. Acredito ser importante o desenvolvimento das habilidades emocionais e entender que o mercado não está saturado, e sim difícil. Estas são coisas totalmente distintas.

O posicionamento se faz no dia a dia, participando e se envolvendo nos trabalhos da Instituição. Sempre que algum jovem advogado me confessa de suas dificuldades, chamo para se envolver nos trabalhos. Esta é uma oportunidade de se fazer conhecido e conhecer pessoas que possam nos ajudar, pode ser um começo. Para quem não é de família de juristas, como é o meu caso, adentrar no mercado de trabalho sendo um “desconhecido” se torna muito complicado. Talvez seja a hora de as pessoas entenderem a importância de fazer parte da Ordem.

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