Inclusão e esporte

Projeto Correr para Vencer ressocializa e incentiva a prática de esportes entre internas do CPFC, em Cariacica




A OAB-ES esteve presente no lançamento do Projeto “Correr para Vencer” na manhã desta quarta-feira (21/10) no Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC), em Bubú. O projeto é uma iniciativa da Vara de Execuções Penais de Vila Velha com apoio da Ordem e outras instituições, e pretende trabalhar a atividade física, na modalidade de corrida, entre as presas que estão custodiadas na unidade prisional. A ação visa ainda a inclusão social e a ressocialização.

A abertura oficial teve participação presencial e de forma virtual de diversas autoridades do Sistema de Justiça do Espírito Santo. A Ordem esteve presente no local e foi representada pela vice-presidente, Anabela Galvão; pela presidente da Comissão de Direitos Humanos, Manoela Soares; pelo presidente da Comissão de Diretos Sociais, Mayara Nogueira, pelo presidente da Comissão de Esportes, Estenil Casagrande, dentre outros membros.

A vice-presidente da OAB-ES, Anabela Galvão, representando a instituição parabenizou a idealização do projeto. “A OAB-ES apoia e incentiva todo e qualquer projeto social que tenha por objetivo a valorização do ser humano. A Ordem se sentiu lisonjeada pelo convite feito pela juíza Patrícia Faroni e aderimos prontamente ao projeto. Apoiamos projetos que trazem dignidade ao cumprimento da pena e que valorizam o bem-estar das internas. Parabenizo o projeto. Agradecemos e sempre estaremos presentes em iniciativas como esta para que possamos contribuir”, disse Anabela.

“O incentivo à prática de atividade física entre as internas favorece não só o condicionamento físico, como também as questões de socialização, combate o estresse, melhora a percepção de bem-estar, dentre inúmeros outros benefícios à saúde emocional. O projeto já conta com alguns colaboradores, dentre eles a própria OAB-ES, que se prontificaram a realizar doações de equipamentos e vestuários adequados para a prática de atividade física, além de terem conseguido um professor de educação física para atuar voluntariamente no acompanhamento e aprimoração dos treinos com as internas, que ao final desta preparação, irão competir em um torneio de corrida”, informou a presidente da Comissão de Direitos Humanos, Manoela Soares.

Inicialmente, o projeto terá a participação de 10 internas. E nesta manhã elas começaram o aquecimento. Os educadores físicos voluntários Leonardo Magnago e Rayner França iniciaram os treinos com alguns conceitos teóricos e planejamento dos exercícios. Para ganhar preparo físico, as internas terão de treinar todos os dias, de 50 minutos a uma hora, dentro da unidade prisional, até que elas estejam aptas a participarem de um evento de rua, assim que já houver liberação da atividade em decorrência da pandemia. “Os exercícios estão focados na parte cognitiva e na coordenação, visando o preparo para as corridas de rua. Nosso acompanhamento será periódico, presencial ou com vídeoaulas”, explica Léo Magnago.

A juíza idealizadora do projeto, Patricia Faroni, da Vara de Execuções Penais de Vila Velha participou da aula inaugural, praticando exercícios em conjunto com as internas e a equipe de educadores físicos. Para ela, que planejava executar o projeto desde 2017, colocá-lo em prática só traz boas expectativas. “Sempre gostei da prática da corrida e me inspirei em um exemplo de um juiz de outro Estado que corria com adolescentes reeducandos e vi neste exemplo uma inspiração para as internas do CPFC. O objetivo principal do projeto é a ressocialização, é restaurar cada uma dessas meninas para que elas retornem para à sociedade transformadas, já que o esporte proporciona não só benefícios para o corpo, mas também para a mente”, ressalta Patrícia Farone.

A corrida em especial traz um sentimento de realização, quando cruzamos a linha de chegada após correr alguns quilômetros e olhamos para traz, conseguimos ver que somos capazes de superar nossos limites com esforço e preparo e isso é fundamental para dar confiança às apenadas que logo estão enfrentando os desafios da vida extramuros. Além disso, apesar da corrida ser um esporte considerado como individual, as internas treinam em conjunto e isso estimula o convívio, fortalece os laços e melhora o clima entre elas. Por enquanto participarão apenas as reeducandas do Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC), do regime semiaberto, que já possuem direito às saídas temporárias, pois esta é a única unidade feminina da Grande Vitória”, explicou a juiza Patrícia Faroni.


Ressocialização

Todos os itens necessários para a prática do esporte – colchonetes, tênis, camisa, top, bermuda e garrafa de água – foram doados ao projeto. A iniciativa colabora não só com o processo de ressocialização, mas contribui para qualidade de vida e melhora da autoestima das internas.

“O incentivo à prática de atividade física entre as internas favorece não só o condicionamento físico, como também as questões de socialização, combate o estresse, melhora a percepção de bem-estar, dentre inúmeros outros benefícios à saúde emocional. O projeto já conta com alguns colaboradores, dentre eles a própria OAB-ES, que se prontificaram a realizar doações de equipamentos e vestuários adequados para a prática de atividade física, além de terem conseguido um professor de educação física para atuar voluntariamente no acompanhamento e aprimoração dos treinos com as internas, que ao final desta preparação, irão competir em um torneio de corrida”, informou a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-ES, Manoela Soares.

O “Correndo para vencer” é um projeto de extrema relevância social e humana na medida em que promove, através da atividade física, saúde física e mental. O ambiente carcerário é, por sua natureza, atravessado por uma série de tensões e fomentar a saúde, o bem-estar e, consequentemente, a autoestima dessas mulheres encarceradas é um dos modos de viabilizar o Direito Social Fundamental à Saúde. O trabalho colaborativo de instituições como o TJ, MP e a OAB (especialmente nas Comissões de Direitos Humanos e Esporte e Lazer) junto à profissionais de educação física e de empresas se direcionam para um propósito: a saúde, a ressocialização através do esporte e a dignidade humana”, também destacou a presidente da Comissão de Direitos Sociais da OAB-ES, Mayara Nogueira.

"A Comissão de Esportes e Lazer da OAB-ES, só tem a agradecer o convite para participar desse projeto pioneiro e incrível de atenção à saúde das detentas, buscando uma melhor qualidade de vida e ressocialização. Orgulho de poder contribuir com os parceiros envolvidos. E esse é só o começo e podem contar com a nossa Comissão para darmos seguimento a mais essa parceria de sucesso. O Correndo pra Vencer vem trazer dignidade e cidadania às presidiárias, sem contar com a inclusão social que o esporte proporciona", destacou o presidente, Estenil Casagrande.

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